Fernando  Sobral
Fernando Sobral 03 de outubro de 2017 às 09:40

O dia seguinte na Catalunha. E o que virá a seguir

A democracia espanhola viveu horas difíceis no domingo. Para Mariano Rajoy: "O referendo que pretendia liquidar a Constituição não existiu." Carles Puigdemont respondeu que: "Ganhámos o direito de constituir um Estado independente em forma de república."

Diz-se que nos próximos dias poderá declarar a independência da Catalunha. Haverá ainda espaço para negociações? No El Mundo, Lucía Mendez escreve: "Dia triste para Espanha. O 1-0 passará à História com toda a segurança. Não sabemos se será o ponto e vírgula do 'processo' ou o começo de algo pior. (…) Ao cair da tarde do aziago 1-0, o presidente do Governo de Espanha disse o mesmo que havia dito no dia anterior, na semana anterior, no mês anterior, no ano anterior e no 9-N. Não havia existido referendo. O Estado impediu-o. (…) Esta é uma Espanha em que não nos podemos reconhecer."

No El País, Lluis Bassets argumenta: "O mundo mirava-nos e não gostou do que viu. O balanço não pode ser pior para a imagem do Governo e, como corolário, de Espanha. Rajoy evitou o referendo da autodeterminação, mas o preço que pagou foi uma séria erosão do prestígio democrático espanhol. Os sócios europeus esperavam que fizesse o que tinha de fazer, especialmente para evitar que a crise catalã se converta em crise europeia. Mas que o fizesse bem." No catalão La Vanguardia, Marius Carol analisa: "O que sucedeu ontem foi o fracasso da política. A política existe para resolver os problemas, não para criar novos. Não se pode delegar em juízes, fiscais e polícias a solução dos problemas políticos, e ainda menos quando a sua magnitude os converte num problema de Estado. Na Catalunha, há um problema político, que não é novo, mas cresceu por não ter sido abordado de frente e a seu tempo. (…) Má notícia para a marca Espanha. Uma péssima notícia para a União Europeia." 
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