Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 04 de janeiro de 2018 às 20:18

O duro caminho das pedras do PSD 

Os militantes do PSD vão escolher o novo líder do partido. Quer o vencedor seja Santana Lopes quer seja Rui Rio, o partido que ainda tem o maior grupo parlamentar na Assembleia da República vai ter muitas dificuldades em bater o PS de António Costa.

O PSD, o maior partido da oposição e detentor do maior grupo parlamentar na Assembleia da República, vai a votos. Os militantes vão escolher entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio, mas até esta semana o debate passou quase despercebido. Há várias explicações para esta apatia da maior parte dos portugueses face a esta disputa eleitoral, desde a época natalícia que aumenta o desinteresse pelos assuntos políticos, mas a principal será a percepção de que o novo líder do PSD dificilmente derrotará Costa nas próximas eleições legislativas.

 

Qualquer que seja o vencedor da disputa do PSD terá pela frente um caminho de pedras. Enquanto as notícias da economia continuarem a sorrir ao actual Governo, Costa tem a vida facilitada. Se os números do emprego mantiverem a trajectória, se os juros não registarem subidas abruptas e não houver algum problema sério com o euro, o actual Governo tem razões para sorrir. Basta ver o que aconteceu no ano passado: os números da economia foram suficientes para abafar todos os escândalos e tragédias, desde os mortos nos incêndios por culpa do falhanço do Estado, até ao caricato roubo de material no paiol de Tancos.

 

O dinheiro no bolso é o factor mais importante de voto e António Costa soube gerir habilmente a devolução de rendimentos às famílias. Tão habilmente que a subida brutal de impostos indirectos passa despercebida. Mas ao invés da habilidade de Costa em gerir a onda optimista, o PSD também paga uma pesada factura pelos duros anos de ajustamento da troika.

 

O governo de Passos foi obrigado a aplicar uma dura política de pão e água e mesmo uma grande parte do seu eleitorado tradicional ficou magoada com os cortes nos rendimentos, nomeadamente nas pensões. Num país que vive dependente do Estado, a agenda liberal de Passos Coelho, de cortar sem dó nem piedade, acaba por custar votos ao PSD.

 

A aplicação das medidas da troika, em alguns casos indo ainda mais longe do que as receitas impostas pelos credores, sem um discurso de esperança e de compaixão, criou anticorpos entre muito eleitorado do PSD. Apesar de tudo, Passos ficou em primeiro nas eleições. Só que a direita perdeu a maioria e António Costa teve o engenho de fazer alianças à esquerda. Entrou para o Governo quando começavam o tempo das vacas gordas, que agora capitaliza. O PSD perdeu poder e influência, e nas próximas eleições só pode sonhar com um governo, sendo o parceiro minoritário de um bloco central com o PS, libertando Costa da geringonça.

 

Saldo positivo: Marcelo Rebelo de Sousa

 

O Presidente da República começou bem o ano com o veto da estranha lei do financiamento partidário. Agora há a garantia de que a discussão da nova legislação vai ser feita de forma clara, sem o secretismo do diploma abortado. O Chefe do Estado mantém um nível de popularidade estratosférico e os portugueses continuam a ouvi-lo. O discurso de Ano Novo bateu recordes de audiências, com mais de três milhões de espectadores. 

 

Saldo negativo: tensão nuclear

É assustador pensar que o louco líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, pode ter acesso a arsenal nuclear com um botão na secretária. Mas também não é tranquilizador saber que na maior potência do mundo há um líder que responde à letra ao déspota da dinastia comunista. "O meu botão é muito maior e mais poderoso", replicou Trump. Se a conversa entre eles fosse só de tamanhos fálicos, estava o mundo sossegado.

 

Algo completamente diferente: O clássico a tarde e a más horas a meio da semana

 

Durante as festas natalícias e de Ano Novo, os portugueses que gostam de bons jogos de futebol puderam ver na televisão os desafios da Liga Inglesa. Por cá, nem no primeiro dia do ano houve jogos. Mas por paradoxo um dos clássicos mais importantes do ano, nada mais do que um Benfica-Sporting, foi marcado para uma quarta-feira, às 21:30. Um horário que prejudica a produtividade do país, afectando o sono de milhares de trabalhadores que no dia seguinte tiveram de se levantar cedo. Estes horários não são a melhor forma de promover o negócio importante que é o futebol. 

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comentários mais recentes
5640533 Há 2 semanas

Nem Rio nem Santana vão ser primeiros-ministros. Caras gastas e sem carisma nenhum.

Nem mais Há 2 semanas

Lá para o ano 3000 esses aldraboes voltam a governar-se