Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 11 de setembro de 2017 às 20:35

O erro em política

São inúmeros os factores e as motivações que conduzem ao erro, certamente mais do que os factores e as motivações que conduzem à verdade, ao sucesso e à adequação entre a informação, a interpretação e a decisão.

A FRASE...

 

"A Europa não sobreviverá um dia ao nacionalismo. Foi feita para acabar com ele. É essa a sua razão de ser."

Teresa de Sousa, "Britain First", Expresso, 9 de Setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

São muito mais frequentes os erros e as mentiras do que os sucessos e as demonstrações rigorosas complementadas com provas. O erro pode ser apresentado como a incapacidade de atingir o resultado esperado, seja para alcançar uma finalidade ou para resolver um problema. O erro é uma seta que falhou o alvo – mas haverá sempre quem tente mudar a posição do alvo para garantir que a seta acertou, mesmo quando já não se vê nem a seta, nem o alvo. Haverá sempre quem dispense as demonstrações e as provas, para se contentar com as opiniões.

 

O nacionalismo foi uma motivação importante quando o problema a resolver era a estruturação dos estados na Europa, superando as guerras religiosas. A construção dos impérios europeus nos tempos da expansão não foi uma construção cooperativa entre poderes europeus, foi a projecção do nacionalismo europeu na escala mundial. Hoje, os estados europeus têm uma escala que não lhes permite sustentar a sua estruturação demográfica e de políticas públicas (muito menos os impérios que tiveram), que não lhes permite controlar os factores de crescimento das economias, que não lhes permite impedir que a expansão das economias se processe pela estruturação das redes de empresas que seleccionam as suas localizações em função das vantagens comparativas que asseguram a competitividade. A União Europeia procura responder ao erro da pequena escala fechada, que é o erro do nacionalismo actual – e porque a motivação do nacionalismo já não é um alvo para que se deva apontar qualquer seta.

 

Os erros corrigem-se com as provas da realidade. Mas o erro em política tem consequências, e a demonstração do erro não faz desaparecer essas consequências. O erro em política muda a realidade, sempre para pior. Mas não mudou o problema.


Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado surpreso 11.09.2017

Quando é que este sujeito nos conta o que pensa?Tem medo?

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