Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 27 de Outubro de 2016 às 20:17

O essencial da inteligência emocional

O essencial da inteligência emocional não é ser desta ou daquela maneira. Não é ter esta ou aquela personalidade. Nem sequer é emocionar-me muito ou pouco. O essencial da inteligência emocional é reconhecer como sou emocionalmente.

As emoções fazem parte de nós. Não são se adicionam ao que somos; já somos com elas. Elas influenciam, moldam o comportamento. Mudam as emoções e muda o pensamento e o comportamento. O que pensamos influencia o que sentimos, é certo; mas o que sentimos também influencia o que pensamos. O modo como estamos emocionalmente é o que mais conta na realidade que vivemos. Experimentamos o mundo emocionalmente; as emoções deixam emergir significados, focam-nos e fazem-nos capazes de comportamentos eficazes, seja de protecção ou afastamento, seja de competição e luta.

 

O stress é um mecanismo biológico de adaptação ao mundo. Quando negativo, diz-nos essencialmente isto: não te metas nisso; não insistas nas situações que te stressam, que te fazem sentir física e psicologicamente mal. O stress emocional força uma resposta que nos livre do mal-estar físico e psicológico; falar com amigos, com a família, informar-me melhor são comportamentos possíveis, assim como ir passear, fazer exercício físico, sair com amigos. Se a conversa o fizer menos ansioso, também se sentirá menos cansado. Se o passeio o deixar menos tenso, também os seus pensamentos ficarão menos pessimistas.

 

Mas também há stress positivo. O stress foca, dá energia, faz-nos pular da cama pela manhã e melhora o desempenho. O problema coloca-se no stress negativo; quando estamos emocional e fisicamente cansados, tensos, preocupados, confusos… e é difícil pensar direito, é difícil trabalhar.

 

Emoção é moção, é movimento. Consoante o stress, negativo ou positivo, assim nos movemos e pensamos. O mais importante no ser inteligente sobre as emoções não é ser de nenhuma maneira específica. Não é ser sempre simpático. A simpatia é importante, mas às vezes um murro na mesa ou um levantar de voz pode ser emocionalmente inteligente. O desafio é cada um conhecer como é… mais ou menos motivado, stressado ou motivado, optimista ou pessimista, ferve em pouca água? E tirar partido disso.

 

A inteligência emocional começa numa boa autoconsciência. Depois, saber regular-se e não se deixar levar por impulsos negativos… desmotivação, conflitos, alheamento, cinismo, etc. Minimizar os impulsos negativos torna mais fácil estar motivado. E motivado é mais fácil aproveitar oportunidades e ser empático, interessando-se pelos outros, ouvindo-os, sentindo o que sentem e antecipando problemas. E isto, a empatia, saber ouvir e sentir-se no lugar do outro, é chave para combater o stress, para se ser influente, trabalhar melhor e ser um profissional de alta performance.

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

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comentários mais recentes
manuel f teixeira Há 1 semana

Vivemos no tempo da psicoadaptabilidade. Gerir emoções é o segredo. O equilibrio emocional "trabalha-se", treinas-se. A mudança começa em mim para gerar a mudança no outro.

X Há 1 semana

O essencial da inteligência emocional é saber acatar, ser calminho, aceitar tudo o que lhe impingem. Comer e calar.

Reclamar só traz chatice. E às vezes perda de trabalho. Por isso é tão importante ter esta intelig.emocional e ser manso.

csn Há 1 semana

Um artigo muito encorajador e estimulante.

Anónimo Há 1 semana


O país das maravilhas (para alguns)

A FP continua com as 35 horas, salários altos e muitas outras benesses...

enquanto os privados trabalham 40, com salários muito mais baixos, e ainda tem que pagar impostos cada vez mais altos para sustentar a FP/CGA.