Adolfo Mesquita Nunes
Adolfo Mesquita Nunes 19 de Dezembro de 2016 às 20:30

O estado da oposição

Nem tudo está bem na oposição, mas é sintomático que boa parte da análise que lhe é feita parta das indicações do primeiro-ministro, como se coubesse ao Governo moldar a oposição que pretende.

António Costa diz que a oposição é pessimista, e logo se discute o seu pessimismo. António Costa diz que a oposição está no passado, e logo se regista a sua ausência de futuro. António Costa graceja, e logo se nota a amargura da oposição.

 

Estamos habituados. Sempre que socialistas governam, vem a ideia de que a boa oposição é aquela que, na prática, concorda com o Governo. Sempre que os socialistas governam, perde-se mais tempo a discutir a oposição do que a governação.

 

Um exemplo: o país cresce menos do que em 2015, menos do que a média europeia e menos do que o previsto, e o que é que se pede à oposição? Que seja otimista, que não se perca nos números. No fundo, que aplauda, proponha pormenores e espere a sua vez.

 

Outro exemplo: o país fica a saber que há doentes que não recebem alimentação e medicamentos ou que utentes não conseguem andar de metro em Lisboa, e o que é que se discute? A liderança do PSD, as sondagens do PSD+CDS. No fundo, dá-se a ideia de que a oposição não se governa em vez de se olhar para a governação do país.

 

Dir-se-á que o PS passou pelo mesmo. Discordo. Quando o PS esteve na oposição, o segundo resgate, a espiral recessiva, o programa cautelar, previsões do PS, nunca foram pessimismo, antes gritos de alerta a favor dos mais fracos. O Governo PSD/CDS passou a vida a tentar negar essas previsões, agora o ónus da prova é da oposição.

 

Dir-se-á que ao PS sempre se pediu oposição para o consenso. Discordo. António José Seguro pagou o preço de andar a fazer acordos com o Governo. Era considerado fraco. O PS trocou de líder porque a oposição não pode ser branda, agora a oposição é criticada por não tratar com brandura os resultados da governação.

 

A última coisa que a oposição pode fazer é cair na esparrela, em que cai várias vezes, de querer ser a oposição que a opinião publicada, replicando os remoques do primeiro ministro, pede para existir.

 

Mas há de facto desafios que a oposição tem para vencer, e um deles, que se aplicaria ao PS se fosse ele a oposição, é o de conseguir funcionar eficazmente como fact checker do discurso do Governo.

 

Essa tarefa deveria caber à imprensa, porque é sua função descobrir a verdade, saber se é assim, se este é mesmo o melhor ano de sempre disto ou daquilo, não se ficando pela declaração governativa, deixando para depois a análise da sua veracidade.

 

Por vários motivos, não apenas pela rapidez do online, essa tarefa passou para - e é exigida à - oposição, o que implica uma aprendizagem de novos métodos e competências, que está ainda a fazer-se.

 

Não é sem consequências que esta tarefa passa para a oposição, porque transforma o facto, a realidade, numa disputa entre Governo e oposição, que a imprensa vai relatando sem que, no final, se consiga perceber quem fala, se é que fala, a verdade. Ganha quem comandar a narrativa, quase sempre quem fala primeiro, e não quem fala a verdade.

 

Por outro lado, a oposição, naturalmente encarada como parcial, tem primeiro que provar estar a repor a verdade, só depois conseguindo, se conseguir, desgastar o Governo, um exercício cujos ritmos e tempos favorecem sempre quem governa - o que não sucederia se fosse a imprensa a não deixar passar declarações eloquentes sem sustentação.

 

E este desafio, que veio para ficar, não se vence com facilidade. E seria bom que a imprensa também refletisse sobre ele.

 
Advogado

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mais votado Anónimo Há 1 dia


CORTE IMEDIATO NAS PENSÕES DOS LADRÕES FP / CGA

400 milhões de Euros para aumentar as pensões mínimas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado injetou, em 2015 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o financiamento do buraco anual das pensões da CGA.

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Anónimo Há 1 dia

Mas a oposição existe ? Tudo o que se vê é uma badalhoca e um Passos "passado" a prever o fim do mundo como as testemunhas de Jeová. Isto é oposição ?

Anónimo Há 1 dia

afinal em que estado está a oposição? o que é que defende? agricultores, pensionistas, pescadores, banca, privatização do sistema de pensões, manifestações pelas 40 horas, pelo corte de salários, pelo corte das pensões, contratos de associações, estou confuso!!!!!

Anónimo Há 1 dia


CORTE IMEDIATO NAS PENSÕES DOS LADRÕES FP / CGA

400 milhões de Euros para aumentar as pensões mínimas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado injetou, em 2015 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o financiamento do buraco anual das pensões da CGA.

Anónimo Há 1 dia

Ok... e qual é a punch line? o estado da oposição é culpa da geringonça? querem colinho?

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