Paulo Carmona
Paulo Carmona 18 de janeiro de 2017 às 20:15

O Estado milagreiro, ou não

O que o Estado tem a fazer não é nacionalizar bancos, mas assegurar o crescimento da economia. Voltamos ao mesmo… crescer é essencial, nacionalizar bancos distrai, nada resolve e coloca mais risco nos abusados contribuintes.

A FRASE...

 

"A nacionalização temporária fará sentido, se assim se conseguir 'rendibilizar o banco' e, daqui por alguns anos, 'ter o retorno de todo o capital nele investido e, se possível, com alguma compensação para o Estado'."

 

Rui Rio, Observador, 12 janeiro 2017

 

A ANÁLISE...

 

O Novo Banco está à venda há mais de dois anos, desde a sua resolução. Portanto, não está a correr nenhuma venda apressada que lhe possa retirar valor. Pelo contrário, tivemos estes anos uma gestão competente de Eduardo Stock da Cunha, sempre com o objetivo de venda da instituição.

 

Recordemos que o atual Novo Banco nasceu da "parte boa" dos ativos do defunto Banco Espírito Santo. E essa parte boa foi financiada em 4,8 mil milhões pelo Estado e Fundo de Resolução. Hoje, as melhores ofertas pelo banco não chegam a 20% desse valor. Não que o banco tivesse perdido valor estes dois anos, pelo contrário, provavelmente a situação de partida dessa parte boa era afinal muito má…

 

Não é o negócio bancário que se tem aguentado e até recuperado ligeiramente, trata-se da valorização dos ativos do banco, em concreto a sua carteira de crédito. É para essa carteira de crédito que as propostas de compra do banco exigem garantia do Estado se algo correr mal. Também é verdade que, com as fracas projeções de crescimento da economia para os próximos anos, esses créditos não terão muita tendência a melhorar…

 

E logo se levantam vozes a pedir a nacionalização e que o preço é muito baixo. Essa nacionalização, pelas regras bancárias europeias, seria sempre temporária, e a sua integração na Caixa, proibida pela concorrência. Então o que essa nacionalização temporária poderia fazer pelo banco e pelo seu problema maior, os créditos mais complicados? Nada. O Estado não faz milagres na gestão bancária, os ativos não iriam valorizar e quando fosse vender novamente o banco eles lá estariam para assombrar. O que o Estado tem a fazer não é nacionalizar bancos, mas assegurar o crescimento da economia. Voltamos ao mesmo… crescer é essencial, nacionalizar bancos distrai, nada resolve e coloca mais risco nos abusados contribuintes.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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