Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 14 de dezembro de 2016 às 21:05

O faro dos mercados

A desvalorização sofrida nesta terça-feira pelas ações do BCP é bem significativa. Na verdade, a razão por todos avançada a explicar a descida de cerca de 12% resulta do anúncio do banco Sabadell do propósito de vender as suas ações que representam cerca de 4% do capital.

Esta instituição financeira espanhola que é acionista do BCP desde 2000, na sequência da restruturação acionista ocorrida no banco, tomou essa decisão não se conhecendo os detalhes dos motivos além da causa genérica referida. Mas o curioso é constatar que essa desvalorização, num só dia, da venda de 4% do capital, não teve, nem pouco mais ou menos, comparação com a oscilação positiva verificada com o anúncio do propósito de um novo acionista, no caso, um investidor chinês, de adquirir cerca de 30% do capital do banco. Como é sabido, numa primeira fase foi concretizada a aquisição de metade, cerca de 15%. Nos primeiros dias, após o anúncio do acordo com a Fosun, as ações do banco estiveram ao mesmo valor ou foram subindo gradualmente. Mas os ganhos de maior dimensão ocorridos na passada semana foram imediatamente anulados pelo anúncio da venda dos mencionados 4%. Há também quem refira o impacto das decisões de Mario Draghi quanto às novas regras para aquisição de dívida dos Estados que, numa certa medida, e a prazo, poderão penalizar Portugal. A verdade é que as outras instituições financeiras, cotadas em bolsa, não sofreram consequências dessas novas orientações do BCE. O que isto significa é que os mercados, apesar da considerável irracionalidade que os têm caracterizado de modo mais intenso nos últimos anos, em cima de alguma ilogicidade que sempre os caracteriza, mantêm um faro apurado.

 

A verdade é que eles sabem distinguir 4% de uma instituição de referência, de 30% de outra que o não é ou, pelo menos, que ainda não o é. Toda esta recomposição, da estrutura dos acionistas de instituições financeiras portuguesas, representa um dobrar do Bojador na vida dessas instituições. É uma tarefa verdadeiramente hercúlea aquela que os seus máximos responsáveis procuram levar a cabo, conduzindo as respetivas naus a portos seguros. Seria bom, ou será bom, que não desprezem, como tantas vezes parece acontecer, o papel de equilíbrio ou de contributo para uma certa composição de interesses que a presença, mesmo que largamente minoritária, de capital genuinamente nacional, pode representar no futuro dessas entidades.

 

Advogado

 

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mais votado Anónimo 15.12.2016


O BURACO ANUAL DA CGA CUSTA MAIS DO QUE O RESGATE DE UM BANCO


PS - PCP - BE - e seus apoiantes - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o financiamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.

comentários mais recentes
Porquê ? 15.12.2016

havendo tantas misericórdias no Pais porque razão só a de lisboa tem direito ao jogo ?
dos 180 milhões de receita de jogo, 120 são para pagar ordenados, 20 para obras de manutenção e só 60 para obras de caridade ! 2/3 são para custos de funcionamento (i.e. para amigos)

Anónimo 15.12.2016


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400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o financiamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.

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