Fernando  Sobral
Fernando Sobral 07 de Novembro de 2016 às 17:18

O general Custer e a CGD

António Domingues tem, neste momento, tantas hipóteses de se salvar como as que teve o general Custer em Little Bighorn. A única dúvida é saber se a CGD tem o mesmo destino do Sétimo de Cavalaria.

Custer pereceu, mas ficou na História. António Domingues sobreviverá, mas deixará de poder impor as suas ideias para a CGD. E, no meio desta terrível batalha, resta saber se o cavalo que importa preservar, a CGD, não será um dano colateral. É sobretudo isso que neste momento deveria preocupar a elite política do país. Mais do que ganhos ou perdas políticas no curto prazo. Já se percebeu, depois das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, que Custer está irremediavelmente cercado. Não sairá do desfiladeiro, para onde foi conduzido pelo erro gritante do Governo, que tudo prometeu e que tudo agora deixa cair por entre os dedos, como grãos de areia. O Tribunal Constitucional apenas sustentará o óbvio: a acção do executivo foi um tiro de Winchester no pé. As desculpas deste são tão esfarrapadas como a bandeira do Sétimo de Cavalaria que sobrou depois da batalha.

 

Aparentemente as vitórias vão aquecer o ego de muita gente: da oposição que promulgará a derrota do Governo e da esquerda que tem a sua visão muito própria da moralidade. Todos abrirão garrafas de espumante para comemorar a queda de António Domingues. O Governo agarrará na lira e cantará uma ária que o deixe apaixonado por si próprio. Mas, no meio destas guerras de alecrim e manjerona, ficarão as cinzas de um incêndio maior: como será a reestruturação da CGD? Este monumental choque de erros tácticos e de interesses menos visíveis está a ter uma consequência muito óbvia: a paralisia de uma instituição financeira central que deveria ser o músculo para oxigenar a economia nacional e os seus empresários. É essa a sua principal dimensão pública. Esquecida no meio desta guerrilha onde só interesses primários parecem estar em jogo. Era este o destino do Sétimo de Cavalaria?

 

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free Há 3 semanas

Se mais nenhum funcionário da CGD tem de se apresentar no TC, porque tem o gestor de o fazer? Se mais nenhum gestor de qualquer outra SA bancária tem de se apresentar no TC, porque tem o gestor da CGD de o fazer? O gestor tem de ser discriminado porquê? O PR, a AR e os partidos são idiotas.

Anónimo Há 3 semanas

Um general é um leão. Este tipo e a equipa dele sao ratos. Cluster morreu no campo da batalha. Este tipo ganha na secretaria e esconde se. De quê? O quê? Domingues e a sua quadrilha para a rua.

Anónimo Há 3 semanas

Possas, aqui esta o exemplo daquilo que me fez emigrar!!! Nem um bocadinho de sentido de estado, patriotismo, ou qualquer outra preocupação para além da carteira cheia. Não quer mostrar os rendimentos esta bela peça de Portuguesismo. Pois que vá dirigir a tenda da praça.

Anónimo Há 3 semanas

Domingues nunca foi um general no BPI. Talvez um imediato ou richelieu no mau sentido. Falta lhe a dignidade, a dimensão e o respeito das tropas. Alguem na Caixa respeita, admira, considera Domingues?

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