Fernando  Sobral
Fernando Sobral 10 de setembro de 2017 às 19:10

O IFD ressuscitou

Como se sabe, os líderes políticos portugueses têm a honrosa reputação de nunca entrarem em pânico excepto em períodos de crise. E isso é sempre consolador para a pacata vida nacional.

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De outra forma como é que poderíamos entender a súbita ressurreição de um "zombie" (ou de Freddy Krueger, não sabemos), a chamada Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), vulgo banco de fomento, que estava a dormir em parte incerta? Ou mesmo congelada, para fazer parte da última temporada de "A Guerra dos Tronos", como dragão de olhos azuis.

Segundo parece, esse paralelepípedo com nome vai regressar num golpe de magia do Governo. O que aparentemente nasceu para ajudar ao desenvolvimento nacional, com financiamento dos credores, nunca saiu da toca. Desconheço se por falta de financiamento, de dinheiro, de vontade ou por pura ineficácia. A IFD sempre foi um fantasma para brincar, uma espécie de Gasparzinho dos desenhos animados. Nem era um elefante branco, porque esse, ao menos, costuma ver-se. Agora, pelos vistos, ele renasce ao pé-coxinho. Não para financiar o desenvolvimento da economia, de forma directa, mas para tapar o crédito malparado da CGD, do BCP e do Novo Banco ou, na última versão, nas empresas viáveis com crédito em incumprimento. A ideia é simpática, porque o malparado é um pântano e é necessário que os bancos não fiquem imersos nele, mas parece ser um desvirtuamento da ideia original do pretenso IFD. Que era ser uma fonte de alimento directo da economia.

 

Alguém se está a comportar aqui como os médicos antes da invenção dos antibióticos. Mesmo que se ressuscite a IFD da sua letargia militante, e ela sirva para alguma coisa além de ser um logótipo, será bom pensar que este truque de magia dificilmente comoverá Bruxelas. Mas tudo isto mostra como toda a questão bancária continua a ser de resolução difícil. Está adormecida, mas existe. Não é mau que o Governo tente arranjar uma solução: os bancos devem ser as veias do sistema. Mas não era necessário um truque destes.

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