Fernando  Sobral
Fernando Sobral 02 de fevereiro de 2017 às 09:46

O jogo das moedas. O euro e a ameaça americana

Trump está a mexer com tudo. Depois de um seu conselheiro, Peter Navarro, ter atacado os países que "exploram" o valor das suas moedas, para as tornar mais fracas, a libra teve o seu melhor mês contra o dólar em seis anos.

Os alvos são claros: Japão, China e Alemanha. Sobre esta, Navarro diz que o euro dá uma vantagem competitiva à Alemanha. Ambrose Evans-Pritchard, no Daily Telegraph, concorda: "Em termos objectivos, o guru de Donald Trump está certo. A Alemanha é o maior manipulador planetário de moeda. (…) O desajeitado mecanismo da união monetária permite à Alemanha encerrar numa permanente vantagem comercial o Sul da Europa, infligindo desemprego maciço nos países vítimas e murchando o seu futuro. Independentemente do que se possa pensar da filosofia comercial de Peter Navarro, ele tem razão sobre o crónico, enorme e ilegal 'superavit' da Alemanha que corrói a procura global e distorce seriamente a economia mundial."

Enquanto isso, na Alemanha, os canhões viram-se contra Mario Draghi e o Sul, como escreve Johanna Treeck no Politico/Europe: "Os problemas de Draghi são mais políticos do que económicos. 'Alguém tem de parar Draghi', disse Jorg Meuthen, do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem grandes esperanças de entrar no Bundestag pela primeira vez em Setembro. O partido está entusiasmado em jogar com a memória alemã da hiper-inflação das primeiras décadas do século XX." Treeck lembra que Draghi costuma dizer que olha para a Zona Euro como um todo e que a retirada de "quatitive easing" como pedem os alemães seria perigosa para Portugal e para a Itália. Para o Frankfurt Allgemeine Zeitung, no entanto, "o BCE tornou-se refém dos países endividados". Nos EUA, Roger Cohen, do New York Times, escreve: "Em apenas 10 dias, Trump demonstrou um temperamento de crueldade gratuita."



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surpreso 02.02.2017

Mas,tu percebes alguma coisa sobre moeda?

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