Fernando  Sobral
Fernando Sobral 07 de novembro de 2017 às 20:15

O labirinto

De défice em défice, de dívida em dívida, de culpa em culpa, avançámos para a descrença nacional. É um processo longo em que os portugueses se sentem abandonados pelo destino e entregues a uma sorte alheia.

A última janela para a felicidade fomos encontrá-la na União Europeia e no euro. O sonho transformou-se no pesadelo actual, porque os bons resultados que permitem sossegar as clientelas do PCP e do BE no OE não escondem a dívida brutal. Mas esta descrença não é de hoje. Em 1867, nas páginas do "Distrito de Évora", Eça de Queirós ensaiava um discurso cortante que o tornaria, mais tarde, junto a Ramalho Ortigão, um temido e arguto observador da sociedade portuguesa: "Temos um deficit de 5.000 contos. Esta é a negra, a terrível, a assustadora, verdade. Quem o promoveu? Quem o criou? De que desperdícios incalculáveis se formou? Como cresceu? Quem o alarga? É o governo? Foram estes homens que combatem, foram aqueles que defendem, foram aqueles que estão mudos? Não. Não foi ninguém. Foram as necessidades, as incúrias consecutivas, os maus métodos consolidados, a péssima administração de todos, o desperdício de todos." Os anos passaram e nada, aparentemente, mudou.

 

No meio desta crise de todos os dias, como é a do sector da saúde pública, cujo desinvestimento brutal nos últimos anos levou a situações vergonhosas, parecemos todos filhos de Fradique Mendes. Veja-se o labirinto de Minotauro onde se perde a nossa política. Enquanto o Governo estremece, fustigado pelos incêndios e Tancos, o PSD faz uma longa campanha, com final só lá para Janeiro ou Fevereiro, para escolher um novo líder e uma linha estratégica. Portugal pode esperar? Talvez. Afinal quando vamos buscar para liderar a Protecção Civil alguém que já estava reformado e temos a liderar os bombeiros alguém que fez uma longa carreira política e autárquica e já deveria estar reformado, que podemos antever para discutir o futuro da segurança do ambiente nacional? É neste vazio que Portugal continua a mover-se. Com a dívida sempre por perto.

 

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 1 semana

Sitio de TRAMPA este merdaGAL!

jose Há 1 semana

O Passos Coelho já se foi embora, por isso, está tudo bem. 100 mortos nos fogos. Roubos que não são roubos em Tancos. 13 mortos debaixo de uma árvore na Madeira. Mortos por Leggionela num hospital público. 23% dos portugueses ganham o salário mínimo. Será o Diabo?