Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 05 de janeiro de 2017 às 20:30

O lado lunar da Uber 

Na guerra entre taxistas e a Uber desencadeada no ano passado, os profissionais do táxi perderam a batalha na opinião pública. Mas à medida que a aplicação ganha mercado, conhecem-se abusos, que ninguém toleraria a um profissional de táxi.

Nem tudo o que brilha na net é ouro e há práticas condenáveis escondidas atrás do "sex appeal" das novidades tecnológicas.

 

Na passagem de ano, a aplicação de transporte chegou a aumentar os preços 3,5 vezes. Uma viagem de 14 euros custou quase 50 euros. É o equivalente a um taxista do aeroporto de Lisboa levar um cliente até ao Parque das Nações, com desvio por Cascais e direito a percurso panorâmico pela estrada marginal. Só que se o taxista fosse apanhado neste esquema, seria detido e responderia pelo crime.

 

E se os primeiros condutores da Uber até tinham condições de trabalho e de remuneração acima dos taxistas que recebem à comissão, e que são vítimas de uma exploração absurda, os novos profissionais que entram no sistema da Uber não têm melhor sorte. Há quem trabalhe 10 a 12 horas por dia e não consiga chegar à facturação do salário mínimo.

 

A entrada da Uber no mercado trouxe algo muito positivo: concorrência. Até a maioria dos empresários do táxi tentou melhorar o serviço.  Mas a concorrência, sem regulação do mercado, também pode provocar distorções. Os serviços de transporte são um bem público fundamental e se o mercado for deixado ao seu livre-arbítrio e houver um poder dominante de um operador, as situações de multiplicação dos preços repetem-se. E se um cidadão precisar de ir a um hospital a uma hora de multiplicação de preços por força das condições de mercado, não pode ser confiscado com uma factura absurda. A regulação quando nasce deve ser para todos os operadores, tal como o pagamento de impostos.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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PauloPachecoFerreira 06.01.2017

Muito bem, gostei do artigo. Não uso a Uber e tenho asco pelos taxistas que estão à nossa espera nas chegadas (insisto, chegadas, para bom entendedor ...) do aeroporto de Lisboa.

Viva a concorrência, ainda bem que apareceu a Uber, mas esta não é a terra prometida do consumidor.

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