Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 18 de janeiro de 2018 às 21:50

O lado mental dos recordes

"Quem se atreve ganha" é o mote das forças especiais britânicas SAS, na linha da famosa passagem de Tucídides, da Grécia antiga, "a sorte favorece os audazes". 

Fazer, evidentemente, é o essencial para acontecer. Não fazer ou fazer sem acreditar leva a que nada de relevante se passe. Em parte, é um jogo mental. A preparação e o esforço ajudam, não apenas a construir a crença de que se vence, mas a actuar com uma confiança que facilita atingir os objectivos.

 

Na alta competição, é central a questão dos recordes. O recorde dos 100 metros, fixado em 2009 pelo jamaicano Usain Bolt em 9,58 segundos. Os recordes de golos de Ronaldo, na Liga dos Campeões, no Real Madrid, no campeonato espanhol, etc.

 

No desporto, em geral, quando um recorde difícil é finalmente batido, muitas vezes, dentro de pouco tempo ele é ultrapassado de novo. Por exemplo, durante décadas acreditou-se que o homem nunca correria uma milha - cerca de 1.609 metros - em menos de 4 minutos. Não era possível porque a constituição humana, os músculos, os ossos, o sistema respiratório, etc., não o permitiam. Muitos aproximavam-se, mas não batiam os 4 minutos. Era impossível, não acontecia.

 

Até que um dia, um inglês de nome Roger Bannister correu uma milha em 3 minutos 59 segundos e 40 centésimos. Foi um alvoroço. Em que é que as coisas não batiam certo, como foi possível? Mas enquanto se discutia como o impossível tinha acontecido, no mês seguinte outro atleta fez 3 minutos e 57 segundos; e a partir dai foi sempre descer. Até hoje, em que o recorde tem 17 segundos menos do que os 4 minutos.

 

Conseguir algo visto como impossível muda a atitude dos envolvidos e das pessoas em geral, muda o ambiente. Passa a ser possível e muitas vezes, em pouco tempo, o recorde é batido de novo.

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

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