André  Veríssimo
André Veríssimo 20 de janeiro de 2017 às 09:38

O legado de Obama

O "dia da inauguração" de Trump marca o fim da presidência Obama. E é quase impossível fazer o balanço do segundo sem fazer o contraste com o primeiro.

John Kerry despede-se com um artigo no New York Times sobre a política externa onde puxa pelos galões - do acordo com o Irão ao do clima - e faz a apologia do primado da diplomacia. "Deixarei o lugar convencido de que a maioria das tendências globais continuam a favorecer-nos e que a liderança e o envolvimento da América são hoje tão essenciais e eficazes como sempre. O que se deve em muito ao facto de o Presidente Obama ter recuperado a diplomacia assertiva como a nossa ferramenta principal na política externa e tê-la usado repetidamente para melhorar a nossa segurança e prosperidade." Um recado para Donald Trump e para as suas mensagens em 140 caracteres.

Depois há o estilo do Presidente cessante. "Trump cospe 'tweets' emocionais de forma impetuosa e vingativa, espalhando o seu veneno com erros ortográficos e gramaticais. Vamos suplicar pela prudência, intelecto e reserva de Obama", escreve Nicholas Kristof, também no New York Times.

O charme e a elegância do Presidente não evitaram um desastre na política interna. "Obama sai com o Partido Democrata em farrapos. É mais do que perder a Casa Branca. Os democratas estão fora do poder no Congresso e perderam tanto terreno a nível estadual que podem levar uma geração a recuperar", sublinha Paul Brandus no USA Today. O fundador do West Wing Reports, um serviço de informação independente sobre a Casa Branca, oferece outra perspectiva sobre a forma de avaliar a governação: "Julgamos os Presidentes pelo que eles fazem, mas também é importante olhar para o que não fazem, para o que evitam." Obama "escapou" a uma guerra do Iraque, a um escândalo Monica Lewinsky ou um "crash" financeiro. Será Trump capaz do mesmo?



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