Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 11 de dezembro de 2017 às 10:23

O mais aborrecido dos "Bull Markets"

O cepticismo com que as subidas são encaradas é um dos factores que sustenta este "Bull Market".
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A Bolsa portuguesa continua a subir devagar, discretamente, num "Bull Market" que passa ao lado da maioria dos investidores. As televisões falam da loucura em torno das "cryptocurrencies", nas conversas do café esse é um tema recorrente, mas sobre a Bolsa portuguesa nem uma palavra. É normal e a prova de que a euforia está muito longe de ser uma palavra que se adeque ao actual momento do mercado accionista português.

A semana passada fica marcada pela ruptura de mais uma resistência por parte da Sonae SGPS, neste caso a zona dos 1,04 euros. Este é mais um sinal importante pois a Sonae é a acção que melhor replica o PSI e, historicamente, o grande barómetro da Bolsa portuguesa. Além disso, o BCP está a tentar confirmar a ruptura da resistência dos 0,26 euros o que, a confirmar-se, seria mais outro excelente sinal de força de uma das acções mais importantes da nossa praça.

O PSI encontra-se a cerca de 1% do máximo dos últimos 2 anos, o que mostra bem como está a ser o seu desempenho. A ausência de subidas fortes e espectaculares faz com que a Bolsa portuguesa passe ao lado das notícias e das conversas dos normais cidadãos. Para muitos, este é um problema mas, para mim, a ausência de euforia é positivo e o cepticismo com que as subidas são encaradas é um dos factores que sustenta este "Bull Market" e que me faz continuar a vestir este fato de touro que me continua a assentar tão bem.

Percebo o motivo para tamanho cepticismo - nos últimos 10 anos, com excepção de um período de um ano e meio, a Bolsa portuguesa viveu sempre em "Bear Market". A mente dos mais recentes investidores está formatada para as quedas e o medo da sua ocorrência é mais forte do que o reconhecimento de uma tendência ascendente sólida. Um dia surgirão sinais de fraqueza a que não poderemos ficar indiferentes. Mas para já continua o mais aborrecido dos "Bull Markets" que já vivi nos últimos 25 anos.



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