Fernando  Sobral
Fernando Sobral 04 de outubro de 2017 às 09:38

O massacre na cidade de todos os pecados

Para Donald Trump a culpa foi do "mal", que, como se sabe, tem costas largas. Pior: o massacre de 59 pessoas foi em Las Vegas, a cidade do jogo e, logo, de todos os pecados.

É certo que os mortos e feridos queriam apenas ver um festival "country", algo que pouco tem que ver com o "mal". Mas, desde o massacre de Orlando, no ano passado, que continuam as mortes violentas nos EUA, sem qualquer acção do Congresso, como refere o New York Times. Recorda alguém que trabalha em Las Vegas que o estado do Nevada é célebre pelo seu "passado de Oeste selvagem com leis e regulamentos frouxos". Com tudo isto, a lei das armas não muda. Até pela força da NRA (National Rifle Association), que tem 5 milhões de sócios , como se viu quando Trump foi discursar para os seus membros. No Independent, Will Gore assegura: "Las Vegas é a cidade que talvez simboliza de forma mais óbvia o amor da América pelo mundo do entretenimento. (…) A razão pela qual Trump não vai enfrentar a realidade é porque a desastrosa relação da América com as armas está a ficar cada vez pior. Na verdade, não a pode enfrentar; porque ele, o Presidente-animador, grande apaziguador do lóbi das armas, é parte do problema." A NRA diz que "não são as armas que matam, são os seres humanos".

No New York Times, Nicholas Kristof escreve: "Desde 1970, morreram mais americanos vítimas de armas (incluindo suicídio, assassinatos e acidentes) do que a soma total de todos os que morreram nas guerras da História da América desde a Revolução Americana. Todos os dias morrem 92 americanos vítimas de armas e as crianças americanas têm 14 vezes mais hipóteses de morrer devido a uma arma do que as de outros países desenvolvidos, segundo David Hemenway de Harvard." E, na Slate, Jamelle Bouie é contundente: "Não há esperança com estes assassínios em massa. Acabar com a violência precisa de uma política que não existe. Enquanto o Partido Republicano estiver comprometido com a sua visão de uma sociedade armada há poucas opções no reino legislativo."


A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
Saber mais e Alertas
pub