Fernando  Sobral
Fernando Sobral 04 de Janeiro de 2017 às 09:52

O massacre na Turquia. E o que nos diz sobre a segurança

O massacre numa discoteca de Istambul que cortou a vida a 39 pessoas que ali celebravam o Ano Novo tem merecido várias análises.

Mas há algumas que merecem atenção. Uma delas é a de Robert Fisk, há muitos anos uma voz desalinhada sobre o Médio Oriente no Independent: "A Turquia está sozinha. Primeiro, olhemos para as razões racistas para isso. Se 39 homens e mulheres tivessem sido massacrados em Paris ou Bruxelas ou Berlim na passagem de ano, os títulos agitar-se-iam durante três ou quatro dias. Mas claro, sendo na Turquia, que é um país muçulmano - onde as pessoas não são sempre tão brancas como as da cristandade - as manchetes desapareceram mais depressa. (…) E há as razões políticas. Os turcos queriam entrar para a União Europeia (UE); não estão agora tão dispostos a isso e quem os pode culpar? Assim a sua política actual é receber os enormes subornos da UE (cortesia de Angela Merkel) para fechar os mares aos refugiados muçulmanos que tentam chegar à Europa e pedir os prometidos vistos para a Europa para os seus 79 milhões de cidadãos, enquanto, ao mesmo tempo, fazem acordos com Rússia, Irão, China e qualquer outro país não árabe que possa ser amigo."

No turco Hurriyet, Semih Idiz escreve: "A Turquia é hoje um país que está em guerra consigo próprio." Não é preciso dizer mais nada. Mas quem ganhará esta guerra? Patrick Cockburn, outro sólido analista do Independent, alerta-nos: "Como em França, Bélgica ou Alemanha, é impossível parar ataques quando simples civis são os alvos e os assassinos estão prontos a morrer. Para o seu sucesso culpa-se muitas vezes os 'lapsos de segurança', mas na prática nenhuma medida de segurança pode garanti-la. O Estado Islâmico, que utilizou a Turquia como uma zona de trânsito e como santuário, agora denuncia-a como inimigo e calibrou os seus ataques para causar o máximo de divisões."



A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
Saber mais e Alertas
pub
pub