Fernando  Sobral
Fernando Sobral 30 de janeiro de 2018 às 20:37

O Matrix de Catarina

Há dias, Catarina Martins apitou para que os concorrentes às eleições de 2019 se coloquem na linha de partida. Não contente com isso, começou, ela própria, a correr.

Defendeu estridentemente aumentos salariais para a Função Pública, antecipando-se ao PCP e à CGTP e causando dores de estômago ao PS. Estamos no início de 2018, convém recordar, mas nunca é cedo demais para começar a correria eleitoral. Catarina Martins parece viver no Matrix. Ou seja, um pouco desconectada da realidade. Nem sequer pretende ser Neo para libertar Portugal da escravidão pouco esclarecida que permite que passemos, num segundo, da austeridade de República das Bananas à riqueza esbanjadora do Estado Social da década de 1970. Face a uma declaração destas será difícil não acreditar que qualquer português deseja viver neste Matrix. O BE fixou o seu domicílio (não fiscal) neste Matrix, confortável por assim ninguém lhe poder pedir um pouco de responsabilidade e bom senso.

 

Ninguém contesta o nivelamento por baixo dos salários em Portugal, fruto rançoso de políticas contraditórias seguidas por sucessivos governos desde que a UE deixou de ser uma árvore das patacas. E que diz muito sobre o modelo económico que continuamos a aplicar. Mas, independentemente disso, o Matrix onde Catarina Martins vive acaba por ser uma réplica daquele onde Passos Coelho fez o seu tempo. Como Passos, Catarina divide o país entre funcionários públicos e os outros. O que os distingue é que, para Passos, o Diabo era funcionário público e, para Catarina, esse é funcionário privado. Por isso (mas não só), só pensa nos salários dos funcionários públicos. Compreende-se: é ali que ela encontra o seu suporte eleitoral. Tal como o PCP. Já o PS, que tem do Matrix uma visão mais objectiva, sabe que se o dinheiro for apenas canalizado para o funcionalismo público, os seus apoiantes que orbitam fora dele não compreenderão. Para Catarina, os trabalhadores parecem ser todos iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros. E é aí que o seu discurso se revela apenas um grito eleitoral.

 

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mais votado Alfon Há 3 semanas

O BE é um nojo.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Sem tendêncialismos acaba sempre a fazer bons artigos, com uma visão correcta da realidade ( gostei )

Mr.Tuga Há 3 semanas

MUITO BOM, como sempre.

Alfon Há 3 semanas

O BE é um nojo.