Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 31 de agosto de 2017 às 20:20

O medo de errar

O medo de errar é uma consequência da crença que as pessoas são como são, nascem com determinada personalidade, uma dada inteligência e capacidades e não mudam.

E se cada um é como é, errar uma vez significa errar muitas vezes, não ser capaz, não ser competente. Se assim é, o melhor é não arriscar, é estar quietinho e caladinho.

 

Mas as pessoas não são assim. As provas da plasticidade do cérebro, do sistema nervoso, têm-se acumulado. O cérebro não se desenvolve apenas na infância, mas ao longo da vida toda, embora com menor intensidade na idade adulta e dependendo do que lhe é solicitado. Mas mesmo na velhice há criação de neurónios e novas conexões neurais; quer dizer novos conhecimentos e novas capacidades. É neste contexto que hoje se deve pensar o erro e o sucesso.

 

Uma investigação que recorreu a técnicas de ressonância magnética, publicada na revista Nature Communications, sugere que numa perspectiva neuronal os erros podem ser tão ou mais recompensadores do que os êxitos. O cérebro humano tem dois modos de aprender; um, é procurando não cometer erros, treinando-se para os impedir, aprendendo a evitá-los; o outro modo de incentivo à aprendizagem é o mecanismo de recompensa química que dispara no cérebro quando se atinge o resultado desejado. No entanto, esta investigação descobriu que, de um ponto de vista neural, cometer erros pode também disparar recompensas, desde que a oportunidade para aprender esteja ligada aos erros.

 

O insucesso mexe connosco, chama-nos a atenção e emociona-nos. E aí, nesse momento de questionamento, de abertura e disponibilidade, é a altura para aprender. Em cima do acontecimento é importante não virar a cara e aprender. Neuralmente, quando errar é aprender, o insucesso é um bom contexto para o sucesso.

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Anónimo Há 2 semanas

Nota e opinião bastante interessante, sugiro no entanto que cada vez que referenciar um estudo externo ou facto de suporte que inclua links para as publicações externas correndo o risco de colocar em causa a credibilidade das conclusões. Aguardo as referências para validar o estudo que refere.