António Moita
António Moita 29 de outubro de 2017 às 19:30

O milagre orçamental ou o princípio do fim

Estava tudo a correr bem ao ministro Centeno quando a tragédia dos incêndios lhe veio baralhar as contas previamente cozinhadas do Orçamento para 2018. Cada vez que o Bloco e comunistas fazem um jeito ao Governo, sobe a fasquia das exigências que custam dinheiro.

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Conquistada que foi a introdução de novos escalões no IRS, as alterações na TSU, as diferenciações negativas no IRC, as penalizações nos recibos verdes e outras questões de menor relevo, eis que surge a oportunidade de ouro para quem entende que os compromissos internacionais de um país pouco interessam.

 

Vamos esquecer as metas do défice e a caminhada duríssima para o equilíbrio orçamental, condição fundamental para restaurar a confiança dos investidores internacionais e dos nossos credores, e toca a aumentar a despesa e o investimento público. Que diferença faz, diz candidamente Jerónimo de Sousa, umas décimas a mais no défice?

 

De um momento para o outro as contas nacionais aguentam tudo. Todos os dias ouvimos novas exigências e a tudo António Costa vai dizendo que sim, que não seja por isso, que haverá sempre forma de acomodar a despesa necessária.

 

Tanta facilidade nas concessões permite-nos duvidar das verdadeiras intenções. Este aparente milagre orçamental ou a ideia de que tudo passou a ser possível terá, no futuro próximo, uma consequência. O fim da atual solução governativa. Ou o Governo deixa abrir a "caixa de Pandora" do aumento da despesa e o descontrolo orçamental colocará em causa a credibilidade externa de Portugal, altura em que o Presidente da República se encarregará de fazer sair não apenas um mas todos os ministros, ou o Governo não cumpre o que prometeu aos dois parceiros das "posições conjuntas" e estes serão forçados a seguir outros caminhos.

 

Alguns "socialistas mais chocados" parecem querer estar a iniciar uma guerra com Marcelo e, através dele, com a maioria dos portugueses. No novo contexto político que se anuncia para 2018, este será um caminho muito perigoso para António Costa.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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