Tiago Freire
Tiago Freire 22 de junho de 2017 às 10:03

O mundo da Uber depois do rebelde Kalanick

A Uber não é uma empresa como as outras. Já se tinha percebido, pelo seu rápido sucesso e crescimento, mas também pelos seus "mandamentos", que são ensinados aos funcionários e que não primam exactamente pela candura ("pisar calos" é um exemplo).


Na origem e no centro de tudo está o polémico Trevor Kalanick, fundador e até ontem CEO da empresa norte-americana. Uma semana depois de ter anunciado uma ausência prolongada, de forma a tornar-se uma pessoa melhor, comunicou esta quarta-feira que abandona a administração executiva. Isto depois de um grupo de accionistas o ter pressionado a fazer. "Amo a Uber mais do que qualquer outra coisa no mundo, e neste momento difícil da minha vida pessoal decidi aceitar o pedido dos investidores para me afastar para que a Uber se possa desenvolver em vez de se envolver noutra luta", afirmou Kalanick, em comunicado.


Há várias movimentações em curso: encontrar uma nova equipa de gestão para uma empresa que veio do nada e vale agora mais de 60 mil milhões de dólares; mas também mudar os valores da empresa, como explicou recentemente a administradora Arianna Huffington. Um dos passos nesta limpeza do politicamente correcto é a mudança na sala da gestão executiva: a "Sala de Guerra" passará agora a chamar-se "Sala de Paz"...

Leslie Hook, num excelente artigo publicado no Financial Times, defende que "estas mudanças cosméticas não vão mudar a cultura da Uber de um dia para o outro". Para isso, "serão os seus futuros líderes, mais do que uma lista de valores empresariais sanitizada, a desempenhar um papel central".

Na Bloomberg, Leila Abboud descreve: "O próximo CEO terá de ser um diplomata, um delegador e um defensor dos controlos internos demasiado tempo negligenciados na start-up mais valiosa do mundo. Não é uma tarefa pequena." 

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