Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de maio de 2017 às 20:00

O nosso James Bond

Ao longo da história houve James Bond para todos os gostos. Sean Connery, um grande actor, tinha dificuldade em vestir o frio assassino que os tempos da Guerra Fria requeriam. Pierce Brosnan nunca pareceu muito convincente. E outros ficaram esquecidos pela história.

Roger Moore sempre pareceu o 007 perfeito: de smoking, era o símbolo da elegância e o retrato da fina ironia britânica. Moore, sobrevivente à morte para cair nos braços de mulheres perfeitas, deu a Bond tudo o que os outros não deram: distanciamento e sentido de humor refinado. Moore sabia que a sinceridade era, no mundo da espionagem, algo completamente fatal. Na política segue-se muitas vezes os ensinamentos de James Bond. Mário Centeno vive, neste momento, o seu momento Bond. Até que ponto estará imune aos cantos das sereias modernas servidos à direita ou à esquerda? Neste ano de 2017, com indicadores económicos tentadores, Centeno tem de optar entre o realismo e o sedutor discurso de alguma da esquerda que apoia o Governo, que acha que chegou uma nova era da abundância.

 

Neste território pantanoso Centeno tem de se portar como Bond, para não acabar num beco escuro. Parece que, confortado por António Costa, o seu caminho é claro: todos os excedentes devem ser utilizados para pagar a colossal dívida. Que, ao contrário do que se sonha à esquerda, não pode ser renegada como se de um sonho mau se tratasse. A dívida é a nossa família Addams. Ou nos vamos livrando dela ou nunca mais seremos uma família feliz. Será isso que ajudará à fase dois da estratégia: levar a que as catastróficas agências de "rating" atenuem a sua visão de Portugal. E nos façam sair do "lixo". Ser simples e prático é um método de negociação popularizado por Harvard. Negociar de forma eficiente é um processo que se concentra em identificar e satisfazer interesses, mesmo que eles não sejam comuns a todos. Centeno, como aprendiz de Bond, sabe que se as janelas não se abrem, nunca entra ar fresco e pode acabar envenenado pelo próprio oxigénio, já que o consome e faz com que se torne irrespirável. 

 

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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Estou baralhado . Se o Centeno não consegue ser James Bond , mais ninguem o poderá ser, pois então não é o ministro das finanças que dá ordem para emitir as Bonds.

Nuno Há 3 semanas

Faz ideia de quantas pessoas, em Portugal, ganham menos de 600 euros por mês? 'E nos façam sair do lixo' A quem? Quem vive com 550 euros vive no lixo para sempre, independentemente do rating do país. Mas isso, James Bond nunca soube, nem saberá.

Anónimo Há 4 semanas

gostei da análise