Fernando  Sobral
Fernando Sobral 04 de setembro de 2017 às 22:17

O novo boxe

O presidente francês Emmanuel Macron, que é um mestre na gestão da imagem, deixou-se fotografar com luvas de boxe. O objectivo era promover os Jogos Olímpicos em França em 2024.

É uma reviravolta política: Giscard d'Estaing jogava ténis e Nicolas Sarkozy praticava "jogging". Na era de Macron o boxe é quem mais ordena. O primeiro-ministro Edouard Philippe, antes de assumir o cargo, praticava o desporto para "descarregar a agressividade". Não admira: em 2000, a fábrica de políticos franceses, a Sciences-Po, introduziu como prática desportiva obrigatória o may-thai, o boxe tailandês, que compete com o boxe inglês, mais adorado na Politécnica, escola dos executivos. Segundo os defensores desta aplicação do boxe à política e à actividade executiva, há que treinar o olhar para parar golpes que surgem de qualquer lado. Como quando se dirige uma empresa ou o país. 


A nova política francesa não influencia, para já, a nacional. Talvez porque os políticos locais, ao contrário do que sucedia nos tempos de Eça de Queiroz, não vão esperar o comboio de Paris para saber as últimas novidades. Aqui, neste fim de férias que anunciam as autárquicas, o combate é verbal. Mesmo quando Pedro Passos Coelho diz que o debate público no nosso país está a ser conduzido de uma forma em que se "procura atingir a perna do jogador" em vez de "jogar à bola". Passos deveria saber que a política nunca foi um jogo de "fair-play". A canelada e a cotovelada fazem parte das leis do jogo.

 

Queixinhas e pieguices à parte (e nenhum partido português está imune a estas lágrimas de crocodilo), o tempo corre. E, por exemplo em Lisboa, arrisca-se a ser uma canelada auto-infligida pelo PSD em si próprio. A prestação televisiva de Teresa Leal Coelho mostrou como, no boxe político, se consegue perder por KO técnico sem necessidade de adversário. E é isto que deveria preocupar Passos Coelho, em vez de se defender do indefensável: o apoio à tétrica candidatura do PSD a Loures. Quem se defende assim merece sair do ringue sem glória. E é esse o destino de Passos.

 

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