Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 07 de Novembro de 2016 às 19:45

O orçamento do suicida

O Orçamento do Estado para 2017 revela que António Costa e Mário Centeno desistiram de projectar o futuro e não têm nenhuma ideia para pagar a dívida que foi criada com as políticas públicas e as orientações políticas no passado.

A FRASE...

 

"O Governo e os partidos que o apoiam no Parlamento gostariam de ir mais longe; o dinheiro não chegou e ficaram-se por aqui (…). O dinheiro que não chegou em 2017 terá de chegar em 2018 - não sei de onde, nem como. Estamos perante um problema de sustentabilidade."

 

Daniel Bessa, Expresso, 29 de Outubro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

O suicida não tem horizonte temporal, vive na conjuntura do fim porque para ele não haverá mais nada depois de desaparecer. Quando o suicida elabora o seu orçamento, as contas parecem certas, mas só porque não tem de clarificar o que fará para o orçamento do ano depois desse e porque também já desistiu de pagar os compromissos que assumiu no passado: nem investe, nem paga a dívida.

 

O Orçamento do Estado para 2017 revela que António Costa e Mário Centeno desistiram de projectar o futuro e não têm nenhuma ideia para pagar a dívida que foi criada com as políticas públicas e as orientações políticas no passado. Produziram um Orçamento do Estado que pretende provar que é possível reverter as políticas de contracção, que tinham sido acordadas e monitorizadas pelos credores, sem violar o limite do défice orçamental estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento. Só que reverter políticas para reconstituir as condições do passado implicaria reconstituir as condições que conduziram à bancarrota. Como não desconhecem a definição de loucura proposta por Einstein (continuar a fazer o mesmo e esperar que os resultados sejam diferentes), não querem reverter políticas para voltar ao passado, querem executar políticas de austeridade de escala idêntica às medidas acordadas com a troika (porque o limite do défice não se alterou), mas mudando os pontos de incidência dos sacrifícios: querem fazer o mesmo mudando os nomes.

 

Trava-se um suicídio mostrando um futuro diferente, já que o passado ninguém pode mudar. O futuro só não será austeridade se houver investimento e crescimento, se a cultura da dependência distributiva e clientelar for substituída pela valorização da competição e pelo prémio ao mérito, se a construção do futuro tiver como base a recusa de repetir o passado.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado surpreso Há 17 horas

Gastar tudo o que há e pedir mais algum emprestado,para manter esta negociata politica.A direita que venha depois fechar a porta

comentários mais recentes
canos Há 17 horas

e a culpa como sempre no caso do ps sera do anterior governo ou seja o psd mas afinal o pedro passos coelho tem razao em tudo o q diz em relacao a este orcamento e a geringonca.

canos Há 17 horas

o mais incrivel è q os tugas nao veem isso quem ve isso esta no estrangeiro e avisa multiplas x.vamos para o tetra no ps em relacao as bancarrotas.e depois todos mas todos vao pagar e bem

surpreso Há 17 horas

Gastar tudo o que há e pedir mais algum emprestado,para manter esta negociata politica.A direita que venha depois fechar a porta