Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 21 de setembro de 2017 às 19:50

O Pai Tirano e o Costa do Castelo

O governo de Passos teve um contributo decisivo para o desempenho, mas foi o executivo de Costa a complementar o percurso. E nesta estafeta o maior herói foi o povo português.

Ninguém tenha dúvidas: o maior mérito da saída de Portugal da notação de risco da Standard & Poors é do povo português. Aguentou um brutal ajustamento e ultrapassou o desafio. Custou muito, mas milhões de pessoas e milhares de empresas e empreendedores não se deixaram abater pelas condições adversas.

 

As condições externas também melhoraram, a pressão dos mercados diminuiu, os juros baixos do BCE facilitaram. E a retoma dos mercados externos propiciou um aumento das exportações.

 

A nível político assistiu-se a um interessante duelo sobre a quem cabia os méritos entre Passos Coelho e António Costa. E Passos até assegurava que com ele já se tinha ganho tempo na recuperação, uma afirmação que fica por provar, dado que foi arredado do poder, pela inédita conjugação astral que uniu a esquerda.

 

Obviamente que é António Costa a capitalizar os dividendos da melhoria económica. E não é só pelos dados do PIB ou a melhoria do "rating". A confiança das famílias, que além de ser um importante indicador económico é um barómetro político fundamental, está em níveis máximos deste século. E quando as famílias estão satisfeitas, quem está no governo ganha. Não é por acaso que a sondagem publicada ontem no Correio da Manhã e Jornal de Negócios diz que a maior parte dos portugueses acredita que o PS vai sair reforçado nas próximas eleições autárquicas.

 

Por seu lado, tudo indica que o PSD de Passos Coelho vá ter uma triste na noite eleitoral, particularmente nas duas cidades mais relevantes. Em Lisboa e Porto o PSD corre mesmo o risco de ser humilhado eleitoralmente.

 

E se a eventual vitória do PS na noite eleitoral tem os créditos de António Costa, o provável desaire nas grandes cidades do PSD tem também como culpado Passos Coelho.

 

O líder do PSD teve um desempenho patriótico no seu governo. Foi o homem que herdou o país durante o resgate. O saldo da sua governação é positivo, mas o ajustamento brutal que impôs ao país mexeu na vida de muita gente que eleitoralmente não lhe perdoa os cortes nos rendimentos. Passos Coelho foi o primeiro-ministro mais liberal que Portugal já teve. Acreditou que o tratamento de choque "sem pieguices" era a solução. Foi uma espécie de pai tirano, que tentou fazer o melhor. António Costa tem um perfil político bem diferente. Após chegar ao castelo do poder, apostou na devolução de rendimentos e em agradar a grandes faixas da população para manter o poder conquistado a ferros.

 

Saldo positivo: Mário Centeno

 

A saída de Portugal da nota de lixo no "rating" da Standard & Poors é uma vitória do ministro das Finanças. Centeno tornou-se uma estrela do governo de António Costa. Conseguiu controlar o défice e está a revelar-se um bom gestor político da geringonça. Aumentou impostos indirectos, mais indolores para os contribuintes, geriu habilmente as cativações, mantendo alguma austeridade nas contas públicas. E a vida corre-lhe bem com o PIB num ritmo aceitável.

 

Saldo negativo: cancelamentos da Ryanair

 

A companhia de aviação "low cost" prejudicou milhares de pessoas com o cancelamento de voos. A empresa demonstra um profundo desprezo pelos cidadãos. Mas a atitude da transportadora também prejudica a economia portuguesa. Milhares de passageiros a menos a chegar aos aeroportos portugueses significa muito menos dinheiro a circular. E são milhares os empregos e negócios que dependem dos turistas que chegam em companhias "low cost".

 

Algo completamente diferente

 

Se há domínio em que se passa rapidamente de "bestial a besta" é o futebol. Tudo depende se a bola entra. Quando as coisas correm bem, os gestores, treinadores e futebolistas são os melhores. Mas quando por qualquer capricho, ou pelo desempenho dos adversários, os resultados não são os melhores tudo é colocado em causa. Luís Filipe Vieira é o presidente que conseguiu um tetra e ao mesmo tempo arrecadar milhões em transferências. A inconstância do Benfica neste início de época está a gerar críticas à gestão. Os adeptos não ligam a finanças.  

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comentários mais recentes
5640533 24.09.2017

Passos arruinou a vida de muita gente com gosto. Além da troika? Toma agora!

Mr.Tuga 22.09.2017

Bom artigo.

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