Fernando  Sobral
Fernando Sobral 21 de novembro de 2017 às 19:43

O país Harry Potter

O Governo pediu, nos últimos tempos, auxílio a Harry Potter. Refugiou-se na fantasia para escapar à realidade. Alguns chamam a isso controlo da agenda política. Outros, desnorte.

Prometeu reformas profundas, mas algumas delas foram pozinhos de perlimpimpim para iludir os problemas. Não está sozinho a patinar na maionese. Muitos já o fizeram antes, outros o farão depois. E, na sociedade portuguesa, muitos desejam ficar na história como personagens da nova versão da Terra do Nunca, ao lado de Sininho e do Capitão Gancho. Chamem-se eles Mário Nogueira ou Rui Moreira. Mas é por isso que Portugal, em vez de ter um projecto de futuro, caminha sempre de costas voltadas para o futuro. Prometem-se milagres e transformam-nos em compromissos pessoais. O problema é que os portugueses escutam isso e confundem o delírio com a capacidade de alguém se transformar num mítico Golias. Mário Nogueira (tal como Arménio Carlos) acredita que se descobriu petróleo no Ministério das Finanças. E que, de um momento para o outro, o dinheiro jorrará para os bolsos das suas clientelas. Rui Moreira vive também o seu momento Peter Pan: perante a humilhante derrota do Porto como sede para o EMA, tentou garantir a sua vitória paroquiana, porque a cidade passava a "estar no mapa". Dos perdedores, está visto.

 

Neste país de ilusões, que vão do nada a lugar algum, haja alguém para nos chamar à Terra. Foi o que fez Marcelo Rebelo de Sousa na Gulbenkian: "A crise deixou marcas profundas, é uma ilusão achar que é possível voltar ao ponto em que nos encontrávamos antes da crise - isso não há!" São muitas as feridas deixadas pelos anos da troika e elas são visíveis, desde logo, na qualidade dos serviços públicos. Ou na emigração, que deixou o país sem quadros jovens. Quando tudo é reconduzido à lógica do "restabelecimento de direitos" perdidos no sector público, alguns auto-iludem-se mesmo quando não conseguem iludir mais ninguém. Seja em S. Bento, no Porto ou frente ao Ministério da Educação.

 

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mais votado Anónimo Há 2 semanas

A economia portuguesa, subjugada às vontades de revolucionárias mentalidades reinantes presas a um passado tão longínquo que parece o de outro mundo e ao peculiar sistema político-legal em vigor que dali resultou, frontalmente anti-mercado, delirantemente marxista, obtusamente proteccionista, irresponsavelmente keynesiano, convenientemente neoludita e criminosamente corrupto, não consegue criar condições para atrair o melhor e mais adequado talento e capital disponível a cada momento no mercado de factores externo, nem tão pouco fixar o que cá vai sendo gerado. Os custos desta ignóbil imprudência, assente na extracção de valor e avessa à criação daquele, são sobejamente conhecidos. observador.pt/2017/11/02/economia-portuguesa-esta-presa-por-quatro-grandes-arames/

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Anónimo Há 2 semanas

Enquanto o pensamento dos partidos políticos for só as próximas eleições, o pais nunca vai se voltará para o futuro. Enquanto a vontade de estar no poleiro for maior que a vontade de mudar Portugal, o pais nunca vai sair da cepa torta. E não vai melhorar com selfies, isso é mais que garantido!

Anónimo Há 2 semanas

É sobejamente conhecido o número de países que estão a fazer efectivamente reformas tão profundas quanto acertadas ou não fossem esses países cada vez mais fortes socialmente e economicamente. Dos escandinavos aos da Oceania, dos da América do Norte ao Reino Unido e à Alemanha. E reformas neste contexto, entenda-se, implicam invariavelmente liberalização e flexibilização quase plena dos mercados de factores produtivos, de bens e de serviços. Promovendo um mercado saudável e funcional onde quer o pós-doutorado como o rapazola das Novas Oportunidades ganham consoante o valor que sabem criar, dadas as reais condições de oferta e procura de mercado face àquilo que têm para oferecer na economia, e não consoante a moldura legal que os torna mais ou menos imunes às forças de mercado no decorrer de toda uma carreira assente na mais pura extracção de valor sem qualquer pertinência, sentido ou justificação.

Mr.Tuga Há 2 semanas

EXCELENTE !!!!!!!!!!!

Anónimo Há 2 semanas

A economia portuguesa, subjugada às vontades de revolucionárias mentalidades reinantes presas a um passado tão longínquo que parece o de outro mundo e ao peculiar sistema político-legal em vigor que dali resultou, frontalmente anti-mercado, delirantemente marxista, obtusamente proteccionista, irresponsavelmente keynesiano, convenientemente neoludita e criminosamente corrupto, não consegue criar condições para atrair o melhor e mais adequado talento e capital disponível a cada momento no mercado de factores externo, nem tão pouco fixar o que cá vai sendo gerado. Os custos desta ignóbil imprudência, assente na extracção de valor e avessa à criação daquele, são sobejamente conhecidos. observador.pt/2017/11/02/economia-portuguesa-esta-presa-por-quatro-grandes-arames/

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