José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 14 de Dezembro de 2016 às 18:53

O pântano de Trump

Será que Trump abandonou a quixotesca pretensão de placar os interesses instalados em favor de uma modesta depuração do pântano, que mantenha vivos alguns crocodilos de estimação?

A FRASE...

 

"[Gary] Cohn da Goldman Sachs aceita posto no National Economic Council [do Presidente

Trump], diz a CNBC."

 

Bloomberg, 12 de dezembro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

Uma das linhas de força da campanha de Donald Trump foi o compromisso de drenar o pântano de Washington, entendido como a promessa de livrar o país do chamado "establishment". Daí que é com surpresa que verifico que desde a eleição presidencial as ações do banco Goldman Sachs - peça incontornável do poder estabelecido nos EUA - valorizaram-se cerca de 35%. Significa esta circunstância que nenhum Presidente se consegue libertar das teias do "establishment"? Ou será que Trump abandonou a quixotesca pretensão de placar os interesses instalados em favor de uma modesta depuração do pântano, que mantenha vivos alguns crocodilos de estimação?

 

A segunda hipótese começa a ganhar adesão à medida que se vai conhecendo a equipa presidencial. Na vertente económica, Trump nomeou para secretário do Tesouro Steven Mnuchin, ex-membro da comissão executiva da Goldman Sachs e convocou Gary Cohn, atual membro da administração da Goldman, para presidente do National Economic Council, órgão central na definição da política económica. Na vertente diplomática, o nomeado para secretário de Estado deverá ser Rex Tillerson, presidente executivo da petrolífera Exxon Mobil, a maior empresa de um dos setores mais bem representados nos corredores de Washington. É difícil pensar numa composição mais próxima do "establishment" do que a que se começa a desenhar.

 

É óbvio que Trump pode ainda manter-se fiel à promessa de remoção dos interesses e privilégios que o próprio identificou, mas os sinais que envia não apontam nesse sentido. O perigo é que os milhões de americanos que lhe confiaram um voto de protesto se sintam alienados pela prática política do novo Presidente e que, daqui a quatro anos, procurem soluções verdadeiramente radicais.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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