Rúben Claro da Fonseca
Rúben Claro da Fonseca 29 de outubro de 2017 às 18:00

O percurso das empresas exportadoras portuguesas

Recentemente, o Banco de Portugal mostrou-se otimista com previsões de crescimento da economia portuguesa a atingir 2,5% ainda este ano, elevando o ritmo que até então era de 1,8%. 

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Neste contexto, é oportuno compreendermos de que forma a implementação de uma estratégia de exportação poderá levar a ganhos para as empresas e para o crescimento da economia.

 

É certo que a entrada numa nova geografia implica um processo que nem sempre é rápido, tendo em conta a adaptação dos produtos exportados ao mercado-alvo, as barreiras legais, culturais, logísticas e linguísticas. Por isso, é essencial antecipar e descobrir o país para o qual pretendemos exportar: conhecer as suas especificidades, analisar a concorrência local e, acima de tudo, estar atento às atuais tendências de consumo internacionais, mas também às nacionais e regionais. Uma "máquina bem oleada" não é suficiente, pois há fatores externos à empresa que esta não consegue controlar.

 

Mesmo falando de um investimento no estrangeiro, não podemos descurar a diferenciação - ela é tão importante no país de origem, como no mercado de exportação - para que a empresa não seja apenas mais uma, entre tantas no mercado. Seja pela inovação do produto, pelo preço, pela qualidade ou pelo serviço, o importante é que essa proposta de valor chegue, com clareza, ao consumidor.

 

E agora para onde? Os dados mais recentes do INE apontam Angola como o principal país de destino das exportações portuguesas no segundo trimestre de 2017 e identificam os Países Baixos e Marrocos como destinos com crescimentos significativos.

 

Começar pela internacionalização em países vizinhos é uma estratégia correta do ponto de vista do risco e proximidade cultural. No Grupo Lusiaves, considerando essas premissas, Espanha foi a primeira aposta, há mais de 15 anos. Mais recentemente, investimos num centro de distribuição em França, um país que nos posicionará estrategicamente no centro da Europa.

 

Os aspetos a considerar aquando da definição de uma estratégia de internacionalização são, em suma: onde queremos chegar, quais as nossas vantagens competitivas e diferenciadoras, de que forma corremos menores riscos, e qual (quais) o país(es) em que nos é mais favorável esse processo de internacionalização.

 

Temos também de ter presente que, devido à pequena dimensão do mercado português, o nosso mercado natural terá de ser considerado, em primeira mão, a Europa, com os seus mais de 400 milhões de consumidores e, nas decisões estratégicas das nossas empresas, essa ambição deve estar sempre presente. Seja qual for o território, o importante para o sucesso de qualquer empresa exportadora e que se queira internacionalizar passa por articular uma estratégia com objetivos e um plano de atividades concreto, elementos que devem estar devidamente fundamentados em estudos de mercado e adaptados à realidade do país de chegada.

 

Muito importante também é que as empresas estejam bem apetrechadas de recursos humanos e que partam para este desígnio com uma boa solidez financeira.

 

Administrador do Grupo Lusiaves

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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