João Bravo da Costa
João Bravo da Costa 22 de agosto de 2017 às 20:00

O pós-Verão, Angola 2017

Embora as eleições sempre tragam um período de mudança e, consequentemente, de instabilidade elas são também, e com um cunho mais forte do que nas enraizadas democracias ocidentais, uma renovação de expectativas e esperanças.

Apesar de actualmente estarmos em época de "cacimbo", a verdade é que a economia angolana, enquanto economia muito marcada por investidores internacionais e também fortemente caracterizada pelo investimento português, é bastante calendarizada pelo ritmo das economias ocidentais. Pelo que importa nesta fase de mudança que é, portanto, decisiva e a qual poderá ser caracterizada como um marco fundamental na História de Angola, perguntar: como será o pós-Verão Angola 2017?

 

Num mundo caracterizado por novas tecnologias num acesso fácil à informação e em que 30 segundos de "download" de uma página de internet parecerem uma eternidade, desde já poupo aqueles leitores mais impacientes de lerem este artigo até ao fim, respondendo-lhes que o pós-Verão Angola 20117 poderá ser resumidamente caracterizado em 3 breves notas: um período novo; um período cheio de oportunidades; e em que este é o momento dos investidores!

 

Um período novo

 

Não é difícil adivinhar que o próximo dia 23 de Agosto em que os angolanos se dirigem às urnas para votar num contexto de um processo eleitoral que culminará na nomeação do próximo Presidente da República depois de o actual Presidente da República ser responsável pelos destinos do País durante 38 anos seja, só por si, um marco na História de Angola. Mas na minha opinião as novidades não se ficam só por aqui!

Não obstante algum cepticismo e nervosismo por parte de alguns membros da sociedade angolana e opinião pública, bem como de alguns investidores estrangeiros quanto ao dia 23 e subsequente período, discordo em absoluto daqueles que contribuem para as listas de esperas da ponte aérea Luanda-Lisboa.

 

Se compararmos a situação de Angola com a actual situação vivida por países da América do Sul, ou com alguns países compatriotas africanos de Angola, ou com a própria situação de Angola durante os anos 90, rapidamente chegaremos à conclusão que este período de mudança de Angola será conduzido de uma forma segura e pacífica, tendo em conta a estabilidade política que foi alcançada.  

 

Não obstante considerar o Rio de Janeiro como uma cidade que faz jus ao seu nome de "Cidade Maravilhosa", entre outras razões pelas suas belezas naturais, sempre considerei um absurdo aqueles que falam de violência e temem Luanda, mas passam férias no Rio de Janeiro, como se ir de férias à Cidade Maravilhosa equivalesse a ir para uma qualquer praia paradisíaca na Polinésia Francesa.

 

Embora as eleições sempre tragam um período de mudança e, consequentemente, de instabilidade elas são também, e com um cunho mais forte do que nas enraizadas democracias ocidentais, uma renovação de expectativas e esperanças. No caso de Angola, esta renovação está enraizada no crescimento e desenvolvimento do país e no seu ambiente de negócios, com grandes expectativas de ser alcançado um impulso económico.

 

Um período cheio de oportunidades

 

Não obstante as oportunidades económicas não se consubstanciarem apenas em iniciativas legislativas, estas nunca são descuradas do fito dos investidores, nomeadamente e entre outras, a mais recente Lei de Investimento Privado que modifica o montante mínimo de investimento. Em resultado, as autoridades angolanas competentes aprovam hoje projectos de investimento no valor de USD 150.000, cenário este completamente diferente do montante mínimo de investimentos anteriores de USD 1 Milhão.

 

Fruto da crise internacional das commodities, o país foi forçado a reorganizar várias instituições públicas que desempenham um papel crucial nesta economia, reformas essas que seguem uma linha temporal clara: começaram com uma reforma ao nível dos procedimentos, passaram por uma maior preocupação com questões de compliance e terminaram com a substituição de altos cargos que desempenharam funções em sectores cruciais desta economia. O esforço pela imposição de princípios de transparência é obvio.

 

É claro que nos podemos sempre colocar num plano critico de o que foi feito até agora não chega e é pouco. E depois, como em tudo na vida, existe o outro lado da moeda em que nos podemos perguntar: será legitimo exigir de um país que tem 42 anos de existência que tenha o mesmo nível de funcionamento dos países ocidentais? Como funcionava Portugal com 42 anos de existência, ou seja, em 1181? Como funciona o país Angola com 42 anos de existência quando o comparamos com a Venezuela que tem 206 anos de existência? Como funciona o país Angola com 42 anos de existência quando o comparamos com o Brasil - o el dorado para os investidores portugueses e para o turismo português - que conta com 195 anos de existência?

 

Essas reformas e esforços para alcançar transparência e eficiência, com base em iniciativas legislativas e em mudanças executadas em empresas e instituições do sector Estado, criarão novas oportunidades. Essas reformas promoverão também a confiança de investidores com um vasto leque de oportunidades em diversos sectores, entre outros, nos recursos naturais, na indústria, agricultura, pescas, turismo.

 

O momento dos investidores

 

No que diz respeito aos timings das oportunidades de investimento, gosto sempre de recordar e traduzir a frase do Barão Rothschild: "O tempo para comprar é quando há sangue nas ruas".

 

Angola está longe de ter sangue nas ruas! Por isso, e adaptando a metáfora a uma que é definitivamente mais apropriada à luz da actual situação de Angola: se quiser comprar um apartamento fantástico com vista para o mar em Angola, poderá não encontrá-lo. Mas Angola é, definitivamente, um país aonde poderá encontrar um terreno com vista para o mar, e nesse terreno, encontrar a oportunidade de projectar e construir, hoje ou amanhã, um prédio aonde desenhará o seu próprio e único apartamento feito à sua medida. E, além disso, ter direito a um bom retorno do seu investimento, vendendo os restantes apartamentos desse mesmo prédio.

 

O autor escreve de acordo com a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

 

Associado sénior da PLMJ

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