Fernando  Sobral
Fernando Sobral 02 de Novembro de 2016 às 09:40

O PT implode. Os evangélicos conquistam o Rio de Janeiro

As eleições autárquicas no Brasil foram uma pequena pedrada no charco. Não houve grandes surpresas.


O PT foi varrido das grandes cidades, mostrando que a gestão de Dilma Rousseff deixou feridas bem profundas. O Rio de Janeiro elegeu Marcelo Crivella, um líder evangélico. Os apoiantes de Michel Temer venceram. Talvez por isso a colunista do Estado de S. Paulo, Eliane Cantanhêde, afirme: "PT perde, PSDB ganha, PMDB estabiliza, e 'outsiders' continuam fora." Será assim? E os evangélicos são o quê? Roberto Dutra, sociólogo, diz no El Pais/Brasil: "Ao contrário do que se pensa, o eleitorado brasileiro tem bom senso. Elegemos um presidente sociólogo, um presidente operário e uma presidente guerrilheira. É um eleitorado que não é tão conservador como se imagina." E acrescenta: "O voto religioso é circunstancial e muito mais presente nas eleições legislativas do que nas executivas. Por isso, eu acredito que se o Governo Temer não for capaz de fazer uma política social minimamente satisfatória do ponto de vista dessa população, ele não vai conseguir o apoio dela."

Não estaremos a assistir a uma mutação? Bernardo Mello Franco, na Folha de S. Paulo, afirma: "A eleição de Marcelo Crivella é um marco na ascensão dos pastores evangélicos na política brasileira. (…) Embora Crivella afirme não misturar política com religião, sua gestão será vista como laboratório de um plano maior. Há cinco anos, ele afirmou a uma plateia de pastores que só virou candidato por ordem da Universal. Crivella é filiado ao PRB, partido controlado pela Universal e ligado à TV Record. Ele é tão pragmático quanto sua igreja. Disputou várias eleições em aliança com o PT, foi ministro da Pesca no Governo Dilma Rousseff e votou a favor da abertura do processo de 'impeachment'. Hoje, seu partido integra a base do Governo Michel Temer." Não podia ser mais explícito.


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