Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 14 de fevereiro de 2017 às 21:22

O que é o UGC?

Muitos consumidores confiam mais nos seus pares do que nas mensagens emitidas pelas marcas, que são muitas vezes vistas como parciais e interesseiras. É um ponto de vista respeitável e, é preciso reconhecê-lo, ancorado no mais elementar bom senso.

Naturalmente, pode argumentar-se que existem regulamentos e códigos de boas práticas que obrigam as marcas a manter as suas mensagens dentro do estrito campo da verdade. Mas tal não altera o facto de mais de 80% dos consumidores darem mais importância à opinião dos outros consumidores dos que à das marcas.

 

Quando queremos reservar um quarto para férias em local que não conhecemos a quem damos mais credibilidade: à comunicação da cadeia hoteleira que nos mostra fotografias paradisíacas ou ao comentário de vários utilizadores que nos dizem que a limpeza é deplorável? 

 

Muitas empresas já o entenderam. Por isso o UGC, conteúdo gerado pelos consumidores, ou na designação anglo-saxónica que dá origem à sigla "user-generated content", está em forte expansão em todo o mundo.

 

O UGC abarca o largo conceito de conteúdos gerados pelos consumidores nos seus blogues, sites, páginas das redes sociais, comentários, partilhas ou reações a outras mensagens.

 

Muitas marcas incentivam os seus clientes a dar opiniões, a deixar sugestões sobre os seus produtos e serviços, a divulgar as suas experiências de consumo, a partilhar as mensagens da empresa.

 

Desta forma quando a mensagem chega a outros consumidores ou potenciais consumidores vem mediada por alguém mais próximo e mais credível.

 

Naturalmente, esta estratégia comporta riscos. Se o produto não está à altura do que promete, a empresa arrisca-se a críticas e a manifestações de desagrado que não contribuem para a sua imagem, mas que a podem ajudar a melhorar a oferta e a posicionar-se no mercado.

 

Existem, contudo, estratégias mais proativas e menos arriscadas. Por exemplo, incentivar, através de concursos, jogos ou passatempos, os consumidores a criar e a partilhar conteúdos sobre a empresa/produto ou marca.

 

Dois casos concretos. Uma empresa de vestuário disponibilizou uma página na qual os seus clientes podiam colocar fotos em que fosse visível uma peça de roupa da sua marca. Em resposta, obteve uma explosão de criatividade dos seus clientes que lhe permitiu reforçar a imagem da oferta no segmento desejado.

 

Outra campanha muito inovadora tem o cunho de uma conhecida marca de cola que lançou no mercado garrafas com os nomes mais comuns de um dado país. Depois pediu aos clientes para partilharem nas redes sociais fotos em que estivessem com a sua garrafa personalizada. Um grande sucesso.

 

Neste último caso, os clientes foram os verdadeiros divulgadores da campanha, evitando a empresa os custos de publicidade nos grandes meios de comunicação.

 

Em Portugal, estamos ainda atrasados na adoção destas técnicas modernas, mas vai sendo tempo de as empresas se adaptarem às novas formas de comunicação.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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