David Bernardo
David Bernardo 18 de dezembro de 2016 às 17:34

O que esperar do digital e do sector "tech" em 2017?

Está a chegar 2017, e se há muita gente à espera de como será o novo Presidente dos Estados Unidos, o mundo da tecnologia não deve ficar atrás a nível de surpresas.

Existem algumas tendências que, ao que parece, irão moldar os próximos 12 meses:

 

– Transformação digital dos sectores tradicionais: ignorar o digital deixou de ser uma opção para quase 100% das empresas. Chegou a hora de sectores que estiveram até agora mais protegidos, como os seguros e a educação, de verem grandes inovações e sentirem a concorrência de novas tecnologias e start-ups. E digitalização não é ter um sítio ou uma app, é transformar toda a empresa para que o digital faça parte do seu ADN (estratégia, produtos e serviços, processos);

 

– Os grandes vão ficar maiores: Google, Facebook, Amazon, Apple e Microsoft começam a ser tomados mais a sério. Estas empresas têm hoje quantidades de dados e capacidade de processamento gigantescas que, combinadas com uma capacidade quase ilimitada de investimento, lhes dá um poder superior a muitas nações;

 

– Recursos humanos: numa idade de tecnologia, curiosamente, um dos principais temas é a falta de recursos humanos preparados com conhecimentos relevantes para o sector digital. Se as "máquinas" vão fazer desaparecer muitos empregos nos próximos anos, a procura nunca foi tão alta para especialistas em temas como a gestão de informação, programação e outras tantas áreas relacionadas. E os salários também nunca foram tão altos;

 

– Inteligência artificial e "machine learning": uma das grandes apostas das empresas (em especial das cinco anteriormente mencionadas e outras como a IBM com o Watson) são estas tecnologias. Vários investimentos vão ser anunciados e novas tecnologias irão ser disponibilizadas ao público de forma quase imperceptível em muitos sectores;

 

– Cibersegurança: se os atentados terroristas a que temos assistido são assustadores, o risco da cibersegurança deve-nos preocupar muito mais. Quase tudo tem processadores e sistemas operativos. E se estes estão presentes, há uma possibilidade que sejam "hackeados" e usados para outros fins. As nossas infra-estruturas (aeroportos, estradas, água, etc.), os nossos transportes (carros, aviões, barcos, etc.) e os nossos dados e segredos estão todos online e podem cair em mãos erradas. Existe uma grande falta de legislação sobre o tema e as autoridades estão com frequência mais atrasadas a nível técnico, do que os criminosos;

 

– Novos interfaces: os ecrãs não têm sentido. Estamos na idade do duplo queixo, sempre com a cabeça para baixo a olhar para um rectângulo iluminado. Isto não só não é estético como também não é natural. O digital tem de se integrar mais com a realidade, sensores que automatizam funções, realidade aumentada, controlo de voz e "bots" vão alterar a forma como interactuamos com as máquinas e a realidade. A "internet of things" vai começar a estar mais presente na nossa vida com a integração de conectividade nos produtos de uso diário. A realidade virtual, na minha opinião, também veio para ficar. Tenho estado a testar várias soluções disponíveis neste último período (Oculus, Playstation, etc.) e já oferecem soluções de entretenimento superiores às tradicionais.

 

Para tornar mais interessante o ano 2017, o grande desafio não vai ser nenhum destes em especial, mas sim como montar o puzzle com vários deles. Por exemplo, como é que as empresas tradicionais vão conseguir contratar e manter os recursos humanos que necessitam para a transformação digital quando não conseguem, na maioria dos casos, cobrir os valores oferecidos por empresas de tecnologia (ver salários na Google ou Facebook, por exemplo). Têm de tentar recuperar o atraso tecnológico que têm, mas com equipas com menos experiência nos temas. Missão difícil.

 

Estamos num momento histórico pois, ao mesmo tempo que é entusiasmante o que a tecnologia e o digital nos apresentam, também existe um lado mais obscuro que tem de ser analisado e controlado. Que em 2017 saibamos aproveitar o que tem de bom e preparar uma sociedade futura sustentável.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

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