Celso  Filipe
Celso Filipe 23 de junho de 2017 às 09:30

O que fará Macron com a sua dupla vitória?

Em Portugal, por força da tragédia de Pedrógão Grande, a vitória esmagadora do partido de Emmanuel Macron, o Em Marcha, nas eleições legislativas francesas, passou para um plano secundário.


Francisco Assis, no Público, diz que Macron é "uma personalidade política em construção". Uma circunstância que, acrescenta o eurodeputado, "nos permite alimentar a expectativa de que o seu lado mais luminoso venha a prevalecer sobre a dimensão menos abonatória".


Na Visão, Ana Navarro Pedro enfatiza que a maioria absoluta se transformou numa espécie de hora da verdade para Emmanuel Macron. "Na hora das escolhas e das decisões, o Presidente será obrigado a sair do conforto da ambiguidade para assumir claramente as reformas do Código do Trabalho que são a sua prioridade. Ora, sair da ambiguidade é sempre um perigo para si mesmo, diz um velho ditado gaulês."

Contudo, os resultados eleitorais reforçam a sua posição. "As eleições presidenciais e legislativas deram legitimidade a Macron. Será mais difícil para os sindicatos oporem-se radicalmente às reformas", afirmou Philippe Waechter , economista-chefe da Natixis Asset Management ao Financial Times. Mas esta vitória tem uma base ainda mais profunda. "A forma como foi capaz de disromper o sistema político é agora evidente e faz as pessoas pensarem que ele poderá também disromper também o ‘status quo’ social e económico", afirmou o historiador Jean Garrigues, também ao FT.

Para Fernando Assis sobra, contudo, uma certeza. "A existência de um Governo que une uma parte significativa do centro-esquerda e do centro-direita em França, apesar de alguns perigos que comporta, tem esse condão inquestionável de reformular alguns dos principais dados em que tem vindo a assentar a vida política europeia." 

A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Silva 26.06.2017

O sistema eleitoral francês faz esquecer que a maioria de dois terços na Assembleia foi obtida com trinta e poucos por cento dos votos. E que a maioria da abstenção de 57% sao votantes da oposição. Os franceses estão divididos. Macron é um grande actor de grandes encenações. É tudo o que se sabe

pub
pub
pub