Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 06 de julho de 2017 às 19:47

O que fizeste depois

A reacção é o decisivo. De Darwin às neurociências, a investigação confirma que o modo como reagimos é o que faz a diferença.

Os que têm sucesso, os grupos ou comunidades que sobrevivem melhor, não são os mais fortes ou os mais inteligentes. São os que reagem melhor à mudança, os que melhor se adaptam.

Vejamos um exemplo de insucesso, adaptação e sucesso. Um processo de fabrico de detergentes na Unilever foi desenvolvido com base numa estratégia assente nos erros cometidos, conta Mathew Syed na obra Caixa Preta. Tratava-se de modelar uma tubagem de alta pressão de modo a que na passagem de pó e de vapor não se formassem grânulos.

Os melhores físicos e matemáticos mundiais não resolveram a questão. O problema foi estudado em detalhe e desenvolvido um modelo optimizado - não funcionou. Syed diz que em desespero de causa a empresa se virou para uma equipa de profissionais que tinha a particularidade de serem todos biólogos. Não eram especialistas em tecnologia, mas eram altamente capazes no estudo e desenvolvimento de mecanismos de adaptação. E foi assim que avançaram na resolução do problema, na modelação da tubagem de alta pressão. Primeiro fizeram uma ligeiríssima modificação e viram o resultado; depois outra; e mais outra ainda; centenas delas; rejeitaram o que não resultava e mantiveram o que melhorava o funcionamento; por vezes melhorava 1% ou menos. E o que aconteceu? Depois de 45 gerações de tubagens e de 449 erros, os biólogos chegaram ao modelo final. Funcionava e bem. Tiveram sucesso sem nenhum plano. Os erros e a aprendizagem foram o caminho.

Não é o que fizeste, é o que fizeste depois. 

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mais votado Anónimo 08.07.2017

Em Portugal não muda nada. O status quo é mantido por perniciosos lóbis corporativos e sindicais. Os grânulos continuam e continuarão a formar-se nas condutas. Ás vezes chamam os desentupidores, mas assim que eles se vão embora volta tudo ao mesmo.

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Anónimo 09.07.2017

Os países perdem sempre que são cegos para as forças de mercado feito de oferta e de procura. Em Portugal os perdedores já se vislumbram. Estavam em Pedrógão quando morreram e estarão em vários lugares ao mesmo tempo quando levarem uma morteirada também patrocinada pelo anarco-sindicalismo reinante.

Anónimo 09.07.2017

Depois das falências de municípios, algumas empresas industriais e instituições financeiras de renome nos Estados Unidos da América, a que se juntaram alguns resgates governamentais, motivadas pelo excedentarismo e a sobrecapacidade que eram o reflexo da excessiva rigidez atingida nos mercados de factores produtivos ligados a estes sectores, negócios e cidades nos Estados Unidos da América aprenderam a fazer mais com menos factor trabalho alocado. Este processo ainda não terminou. Continua a passo acelerado. Em Portugal e Grécia, pelo contrário, ainda nem começou. O excessivo peso do turismo e da administração pública nessas economias, a par dos baixos níveis de transparência, não ajudarão certamente. Mas algo terá que ser feito nesse sentido. O sentido do progresso que conduz à equidade, sustentabilidade e prosperidade. “Businesses and cities have learned to make do with fewer people.” https://blogs.wsj.com/economics/2013/10/23/u-s-cities-still-reeling-from-great-recession/

paola22 08.07.2017

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Anónimo 08.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

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