Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de Novembro de 2016 às 10:00

O que quer fazer a União Europeia com a Turquia?

É longa a história das dissonâncias entre a União Europeia e a Turquia. A entrada deste país que é uma ponte entre o Ocidente e o Oriente sempre foi travada. E o desejo da Turquia de entrar no clube europeu também se parece ter esfumado.
O recente acordo para que Ancara funcione como uma espécie de tampão à entrada de migrantes do Norte de África na Europa em troca de dinheiro. O Parlamento Europeu votou a favor de parar as conversações para a entrada da Turquia na UE, devido a "preocupações" sobre a "perseguição" a dissidentes políticos . O Presidente turco Recep Tayyp Erdogan não foi meigo na resposta: "Somos nós que estamos a alimentar cerca de 3,5 milhões de refugiados neste país. (…) Se continuarem assim estes portões fronteiriços serão abertos. Nem eu nem o meu povo serão afectados por estas ameaças secas."

No turco Hurryet, o conceituado cronista Murat Yetkin escreve: "Se os deputados europeus pensam que Erdogan e o partido AKP vão ficar na mesma linha de Bruxelas por causa do voto, estão a sonhar. (…) Se pensam que o povo turco ficará zangado com o Governo por o país ser isolado dos europeus, deveriam ler as lições da história. (…) Mas há partes boas em todos os infernos. Talvez este politicamente míope movimento do Parlamento Europeu possa criar uma oportunidade para uma nova e mais realística conversa entre Ancara e Bruxelas." No Daily Sabah, Ilnur Çevik acrescenta: "O que a UE, as suas instituições e os Estados-membros têm feito contra a Turquia desde o golpe falhado de Julho é o que normalmente fariam contra um país onde os militares tivessem tomado o poder e instalado uma Junta que tivesse dissolvido o Parlamento eleito e ilegalizado os partidos, pondo em causa a democracia. A UE está no mau caminho e em vez de perceber a situação real na Turquia parece estar a querer dar a mão aos golpistas e aos inimigos da Turquia."
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