Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 01 de Dezembro de 2016 às 19:30

O sucesso da geringonça 

Um ano depois de tomar posse, já ninguém discute a legitimidade do Governo de Costa. Todas as sondagens revelam uma aprovação generalizada da geringonça.

Hoje, o primeiro-ministro até podia sonhar com uma eventual maioria absoluta e, em conjunto com o PCP e o Bloco, a esquerda parlamentar parece atingir um patamar próximo dos 60% dos votos. A direita que ficou em primeiro nas legislativas do ano passado perde terreno e no PSD, longe do poder e com um cenário político pouco favorável nas autárquicas, já se contam espingardas para a guerra de sucessão. Apesar da economia ainda anémica e trapalhadas na Caixa Geral de Depósitos, o Governo beneficia das baixas expectativas que há neste país. Se as coisas não correrem mal, já é bom.

 

Ontem foi novamente feriado, um dos quatro restaurados pela nova maioria parlamentar. E, provavelmente mesmo a maioria dos eleitores do PSD ou do CDS agradece a folga. O regresso dos feriados é uma das razões para a larga aceitação do Governo. Uma decisão fácil com feitos multiplicados. Outro motivo é a gestão habilidosa dos recursos disponíveis, de que o Orçamento aprovado esta semana é um exemplo. Com a eliminação da sobretaxa do IRS nos escalões mais baixos e aumento de um punhado de euros para milhões de pensionistas, o Governo consegue com truque de multiplicação de trocos, com efeitos políticos. No próximo ano há eleições autárquicas no Outono e em Agosto há um aumento extra para pensionistas, que tenham reformas inferiores a 844 euros. 

 

A devolução do dinheiro a aposentados e a funcionários públicos já foi um dos trunfos do Governo este ano. O diabo até pode andar por aí, mas enquanto a DBRS nos mantiver ligados por um fio aos mercados, não deve fazer estragos. E a geringonça continuará a mover-se, sem grandes dificuldades se os eleitores se lembrarem dos dois motores que explicam o seu sucesso: a reposição de feriados e a distribuição de trocos a milhões de famílias.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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Que tristeza!