Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 23 de novembro de 2017 às 20:50

O trabalho profundo

Possivelmente, 80% dos resultados do seu trabalho vêm de 20% do seu tempo. É capaz de ter reparado em projectos, análises e decisões que resultam bem e o deixam surpreendido por lhes ter dedicado muito pouco tempo.

Por outro lado, há trabalhos que parecem não acabar… e quando acabam, acabam mal.

 

A regra famosa dos 80/20 também é conhecida como o princípio de Pareto, o economista italiano que em 1896 publicou um artigo abordando casos como o facto de 80% da terra em Itália ser detida por 20% dos proprietários ou de na sua quinta 20% das vagens de ervilha gerarem 80% das ervilhas. O princípio de Pareto ou a regra dos 80/20, referido também por outros nomes, é conhecido por experiência própria por muitos profissionais que sabem que 80% das suas vendas vêm de 20% dos seus clientes.

 

E se assim é, o que vale a pena é trabalhar focado nos 20% e ter mais tempo livre; é o que, por exemplo, Cal Newport refere no livro "Deep Work", sobre concentração e produtividade. 

 

O trabalho profundo - à falta de melhor tradução - é o trabalho altamente focado, durante três a quatro horas seguidas, num ambiente sem distracções, sem e-mails, SMS, telefonemas, sem navegar na internet. Uma hora a hora e meia seguida, uma pausa de uns 10 minutos, não para os media sociais, mas para descontrair, beber uma água ou um café, e voltar à concentração.

 

O trabalho profundo é exigente cognitivamente e cansa, mas pode levar longe. Sempre proporcionou vantagens, mas hoje em dia num ambiente de distracção constante, o trabalho profundo pode beneficiar mais ainda quem o consegue levar a cabo, sobretudo se focado nos 20% que geram 80% dos resultados. E há quem sugira que o seu principal benefício é uma vida mais significativa. 

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