Celso  Filipe
Celso Filipe 04 de dezembro de 2017 às 09:35

O Zimbabué e o interior de Portugal

David Pilling, no Financial Times, considera que a mudança de poder no Zimbabué abre a possibilidade de o país seguir o modelo chinês e considera que as palavras do novo presidente, Emmerson Mnangagwa.
"Ele comprometeu-se em introduzir elementos da economia de mercado, no qual as empresas são encorajadas, protegidas e recompensadas de acordo com os seus méritos, uma concessão que o seu antecessor, Robert Mugabe, nunca fez".

Pilling adianta: "Os investidores estrangeiros esperam há anos por uma oportunidade para pôr dinheiro no Zimbabué. São atraídos por terras excelentes, infra-estruturas decentes e, acima de tudo, uma população com fenomenais níveis de educação." Uma mudança de sistema, portanto. Menos Estado, mais iniciativa provada. Como escreve António Nogueira Leite na revista Exame, "um sistema capitalista mais transparente será mais próspero, mais justo e mais sustentável. Manter a opacidade é fazer o jogo dos que o querem destruir. Os movimentos do Estado no sentido de o assegurar são hoje, mais do que nunca, a melhor forma de dar sustentabilidade ao sistema económico que mais riqueza criou e distribuiu na história da Humanidade."

O que tem o Zimbabué que ver com o interior de Portugal?, pergunta. A resposta está no artigo de Adolfo Mesquita Nunes, na Visão. "O regresso do interior ao discurso político seria positivo não fosse a circunstância de este se limitar às ideias e propostas que há décadas se executam sem sucesso aparente." E depois do diagnóstico a proposta. "As infra-estruturas não servem de nada se não houver criação de emprego, se o ambiente empresarial não for atractivo, se não for possível e fácil arriscar ideias e negócios. (...) Devemos permitir uma espécie de zona franca regulatória e tecnológica no interior, um estatuto que o torne a mais atractiva zona da Europa para iniciar um negócio, para estudar, para ensinar."



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