Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de Abril de 2012 às 23:30

O euro e a moral

O que é que une a Europa? O euro? A superioridade moral que tentou ostentar desde há séculos? A democracia oleada pelo consumo massificado?
O que é que une a Europa? O euro? A superioridade moral que tentou ostentar desde há séculos? A democracia oleada pelo consumo massificado? Todos estes pilares parecem-se hoje com "O Grito" de Munch, símbolo perfeito da angústia e do desespero. Até um dos pilares da Europa, a segurança dos cidadãos, foi substituída pela insegurança. E, nesse aspecto, o Governo português está a trilhar a sua vocação ideológica: transformar Portugal num país onde nada é garantido e onde até a Segurança Social está a ser atirada para uma terra de ninguém. O equívoco criado pela Europa está a mostrar os seus danos colaterais: o euro só poderia ser o resultado de uma política económica comum e não a sua origem. Por isso o vírus espalha-se como uma praga ou como a peste que está a destruir os equilíbrios naturais onde se sustentava a democracia. Abatem-se elefantes com o emblema da protecção dos animais à lapela e abatem-se os resíduos de moralidade do Ocidente. São as mentiras que estão a matar a democracia.

A ideologia dos anos 90, fomentada por Francis Fukuyama, da inevitabilidade da democracia implodiu. Levou os governos ocidentais a inflacionarem o mercado imobiliário e a construir enormes défices. Serviu para se promover a democracia à bomba no Médio Oriente. Hoje a democracia está em lágrimas e começamos a perceber, pela insegurança social e de sobrevivência que oferece, que não é uma inevitável forma de governo. Sobretudo porque está a esquecer aquilo que Adam Smith dizia em "A Riqueza das Nações": não tirem aos pobres a sua única propriedade, o trabalho. E, sem moral, é o que estão a fazer.

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comentários mais recentes
Henrique de Sá Pereira 19.04.2012

PERDEU-SE IMPORTANTE INSTRUMMENTO DE POLÍTICA MONETÁRIA/ECONÓMICA: O PODER DE EMITIR OU RECOLHER MOEDA. OS MAIS FRACOS PASSAM A ANDAR AO SABOR DOS MAIS FORTES...OPINIÃO: PAÍS QUE NÃO EMITA MOEDA NÃO É SOBERANO!

flavito 18.04.2012

Mas o sr. Sobralé um dos culpados desta situação, pois foi um dos que mais cintribuiram para a queda - e crucificação do único homem que tinha capacidade e estava realmente determinado a ultrapassar a crise com sucesso, de seu nome José Sócrates.

Economista2000 18.04.2012


""São as mentiras que estão a matar a democracia.""

As mentiras são facilmente desmontáveis.

""...não tirem aos pobres a sua única propriedade, o trabalho.""

Tirar o trabalho aos pobres é fácil, basta aumentar significativamente o salário mínimo (que tal 1000 euros ou mesmo 2000 euros) o que levaria a um rápido aumento das falências e a um brutal aumento do desemprego.

As medidas estão a ir na orientação correcta, apesar de ser pela via das "cernelhadas" com eventuais lançamentos do capote à medida que a pressão financeira aumenta em vez da implementação de reformas estruturais.

Olisipone 18.04.2012

O EQUILÍBRIO NATURAL só existe quando os Estados têm fronteiras e não se metem nas políticas uns dos outros, e quando esses Estados são governados por políticos que defendem o interesse nacional, e não as agendas internacionais definidas por outros Estados.

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