Camilo Lourenço
O monumental erro de Passos Coelho
15 Setembro 2010, 12:00 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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O tempo começa a mostrar que a apresentação da proposta de revisão constitucional do PSD foi o maior erro que Passos Coelho já cometeu desde que chegou à presidência do PSD: precipitou a queda do PSD nas sondagens (José Sócrates aproveitou a deixa para "esquerdizar" o partido, fazendo tábua rasa dos últimos cinco anos, e encostar o PSD à cartilha liberal) e acentuou a clivagem ideológica entre os dois principais partidos do arco do poder.
Ora essa clivagem não podia acontecer num momento pior para o país: PS e PSD precisavam de estar, agora, concentrados na discussão de questões técnicas que permitam ao país ter um orçamento de Estado credível para 2011 em vez de estarem a atirar lama ideológica um para outro.

Como um mal nunca vem só, as consequências prometem não ficar por aqui e alastrar à campanha presidencial. Manuel Alegre, no fim-de-semana, deu o mote ao dizer que não vai deixar que nenhum partido acabe "com a escola, a saúde ou a segurança social públicas".

A jogada é óbvia: colar Cavaco às propostas (supostamente radicais) do PSD, tentando obrigá-lo a antecipar a entrada na contenda presidencial. Seja qual for a reacção de Cavaco (que nunca foi um liberal, verdade seja dita), o importante é perceber os efeitos do erro de Passos Coelho para o país: a focalização no debate ideológico vai tirar a serenidade para se debaterem as medidas que Portugal precisa de tomar para não acabar como a Grécia. E o tempo (e a paciência dos mercados e dos nossos parceiros do Euro) vai escasseando.

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