Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de Outubro de 2016 às 09:29

O Nobel da discórdia e a guerra de trincheiras sobre Dylan

No dia em que António Guterres, numa prova de unidade, foi aclamado na assembleia-geral da ONU, a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan dividiu as hostes.

A imprensa internacional reflecte esta guerra de trincheiras entre os "puristas" e os defensores da lírica musical como poesia. Não será fácil qualquer consenso ou bom senso. No New York Times, Anna North é dura: "Bob Dylan não merece o Prémio Nobel da Literatura. Merece todos os Grammys que recebeu, incluindo um prémio de carreira, o qual ganhou em 1991. Sem dúvida pertence ao Rock & Roll Hall of Fame, onde foi incluído em 1988 com as Supremes, os Beatles e os Beach Boys. (…) Mas ao premiá-lo, o comité Nobel está a escolher não o dar a um escritor, e isto é uma escolha desapontante. Sim, o senhor Dylan é um brilhante letrista. Sim, ele escreveu um livro de poesia/prosa e uma autobiografia. Sim, é possível analisar as suas letras como poesia. Ele é grande porque é um grande músico, e quando o comité Nobel dá um prémio literário a um músico, falha a oportunidade de premiar um escritor."

Já na New Statesman, Liz Thomson contrapõe: "Homero e Orfeu eram músicos ambulantes e Dylan é o seu equivalente moderno - o jovem que tirou a poesia das prateleiras de livros e a colocou nas jukeboxes. Ninguém pode pôr em causa que ele mudou o futuro da música popular." E, no El País, o músico Joaquín Sabina, não deixa de se considerar feliz com a decisão: "Desde ontem, o nosso mundo foi elevado à categoria de alta cultura, e isso é bom." E acrescenta: "O Prémio Nobel para Bob Dylan é uma notícia feliz. Primeiro porque me dá razão: há pelo menos 20 anos que digo que Dylan é o melhor poeta da América e da língua inglesa actual e também o que mais influenciou várias gerações." Não sendo consensual, este Nobel fez com que se voltassem a falar dos prémios.


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Gaspar Há 2 semanas

Este prémio é uma lufada de esperança para o nosso Tony Carreira. Talvez um dia possamos ir ao pavilhão ver um grande espetáculo com mais um Nobel da Literatura, português.

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