Fernando  Sobral
Fernando Sobral 12 de janeiro de 2017 às 09:36

Obama, Meryl Streep e o futuro do euro

Barack Obama fez o seu discurso de despedida e ao "slogan" que o elegeu ("Yes We Can") acrescentou um outro: "Yes We Did". Terá feito?

No "Weekly Standard", Philip Terzian fala do "primeiro presidente que foi estrela de televisão", acrescentando: "Todos os presidentes são celebridades, por defeito; mas Barack Obama foi o primeiro presidente que tendeu a ser a moderna definição de uma. (...) Obama elevou a ubiquidade a uma forma de arte". Mas nos EUA a tensão é latente. O discurso de Meryl Streep, na cerimónia dos Globos de Ouro, teve um alvo: Donald Trump. No "New York Times", Roger Cohen escreve: "Streep fez uma coisa importante ao referir como o estilo valentão de Trump permite uma época aberta para todos mostrarem os seus preconceitos. Um tempo de violência está defronte de nós. (...) Mas as palavras de Streep terão algum impacto em dezenas de milhões de apoiantes de Trump, ou aumentarão a raiva dessas pessoas face às elites de Hollywood e outros centros do dogmatismo liberal?" Uma boa questão.

Deste lado do Atlântico as presidenciais francesas aquecem. Emmanuel Macron, que foi ministro da Economia de François Hollande, avança pela esquerda e diz que o euro talvez não exista daqui a 10 nos. Palavras fortes: "O euro não providenciou a Europa com uma soberania internacional face ao dólar e às suas regras. E não providenciou a Europa com uma convergência natural entre os seus Estados membros". Mais: "A disfuncionalidade do euro é boa para a Alemanha. O euro é um marco alemão fraco. O status quo é sinónimo, nos próximos 10 anos, com o desmantelamento do euro". Para o centrista Macron a França tem de implementar reformas no mercado de trabalho e alterar o seu sistema de ensino, enquanto a Alemanha tem de aceitar mais investimento em vez de austeridade para aumentar o crescimento na zona euro. Não podia ser mais claro.


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