António Moita
António Moita 12 de novembro de 2017 às 19:45

Olha o robô

É de importância estratégica colocar Portugal no mapa da economia digital e do empreendedorismo. Mas este "novo mundo" é ferozmente competitivo e deixa morrer a maior parte dos seus agentes.

Neste segundo ano de vida em Lisboa, o Web Summit trouxe três novidades pouco recomendáveis. A primeira foi um aumento significativo da presença de políticos que, à falta de aplauso por boas razões, usaram recorrentemente o nome Trump para ver crescer a popularidade. A segunda foi assistir a atos de mendicidade pouco edificantes do sempre presente Presidente Marcelo rogando para que o certame fique por cá mais dois ou três anos, perante o olhar meio espantado meio guloso de Paddy Cosgrove. A terceira foi o sucesso de Sophia, o robô que já recebeu a cidadania saudita e que vem para destruir humanos.

 

Se as duas primeiras são habituais num país que facilmente se deslumbra com este tipo de iniciativas, já a terceira nos alerta para os perigos desta onda tecnológica e, ainda mais preocupante, para a ideia de que o futuro de cada jovem está assegurado bastando para tal ter uma ideia de negócio e estar familiarizado com jogos de computador.

 

O Web Summit é fundamental para o desenvolvimento da economia portuguesa através da atração de investidores e de empresas de todo o mundo. É de importância estratégica colocar Portugal no mapa da economia digital e do empreendedorismo. Mas este "novo mundo" é ferozmente competitivo e deixa morrer a maior parte dos seus agentes.

 

Num país dado a oscilações temperamentais muito fortes, seria bom que depois deste ciclo de euforia não se seguisse um outro de negação das virtualidades da inovação, da capacidade criativa, da facilidade de adaptação de milhares de jovens que procuram um futuro diferente e que estão dispostos, alguns de forma inconsciente, a correr riscos.

 

Teremos pelo menos mais um ano para aproveitar o que de bom este grande acontecimento nos traz. Sugiro que deitemos fora o que não acrescenta valor e que nos concentremos em capacitar e apoiar todo o potencial humano instalado nas nossas escolas e nas nossas microempresas. Para que não fiquemos apenas, qual Salada de Frutas em 1981, a "olhar para o robô".

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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