José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 12 de Outubro de 2016 às 19:00

Oportunidade Uber desperdiçada

Infelizmente, a solução de regular a Uber não resolve o problema dos táxis, que assim ficam condenados a desaparecer ou a ser remetidos para um nicho de mercado, ao mesmo tempo que se encarece as plataformas alternativas, com prejuízo para os consumidores.

A FRASE...

 

"[O] Governo está a regulamentar uma atividade de quem faz transporte de passageiros a coberto da plataforma Uber."

 

António Costa, Primeiro-Ministro de Portugal, 10 de setembro de 2016

 

A ANÁLISE...

O movimento sindical dos taxistas tem razão quando apela a uma uniformização da regulamentação do setor, pois a prestação de serviços semelhantes deve ter o mesmo enquadramento jurídico. Sendo necessário alterar as regras, dever-se-ia olhar para a realidade no terreno e perceber qual das atividades melhor desempenha a função de transporte de passageiros. Contudo, a tendência natural dos legisladores é carregar na regulamentação da atividade menos regulada. Ora a deserção massiva de clientes dos táxis tradicionais para as plataformas tipo Uber revela a inequívoca preferência dos consumidores pelas últimas, o que deveria ser suficiente para que as autoridades aproximassem o novo regime daquele que hoje enquadra a Uber e similares. Dessa forma, passaria a ser menos oneroso operar táxis, pelo que estes poderiam baixar os preços e assim tornar-se mais competitivos.

 

Por outro lado, com menos baias regulamentares os empresários do negócio dos táxis estariam mais libertos para inovar, o que estimularia a produtividade e beneficiaria os empregados e os empregadores do setor, bem como os utentes, para além de contribuir para reduzir o tráfego e a poluição nas cidades. Infelizmente, a solução de regular a Uber não resolve o problema dos táxis, que assim ficam condenados a desaparecer ou a ser remetidos para um nicho de mercado, ao mesmo tempo que se encarece as plataformas alternativas, com prejuízo para os consumidores. Ou seja, fica tudo pior.

 

A dose correta de regulamentação é, por regra, um tema complexo, mas neste caso é tão óbvio que o caminho a seguir deveria ser desregulamentar os táxis e não regulamentar a Uber.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Univ Há 2 semanas

Afinal os taxis também já têm uma App de nível mundial, igual à da uber e 100% portuguesa. Segundo os engenheiros portugueses, a mesma tem mais funcionalidades e conta também com direito a avaliação (5 Estrelas) e comentários no final de cada corrida ( www.taxi-link.com ).

Anónimo Há 3 semanas

VAMOS RACIOCINAR FRIAMENTE:

COMO JÁ TENHO UMA IDADE AVANÇADA, A UBER JÁ NÃO ME VAI FAZER GRANDE MOÇA, MAS VERIFIQUEMOS O SEGUINTE:

COMO NÃO SE ADIVINHA QUE HAJA UM GRANDE AUMENTO DE UTILIZADORES, POR CADA NOVO "EMPREGADO" DA UBER, É UM TAXISTA QUE PERDE O EMPREGO.

O COLABORADOR DA UBER TRABALHA A RECIBOS VERDES, LOGO:
A UBER NÃO PAGA SEGURANÇA SOCIAL E O TRABALHADOR GANHARÁ ZERO, QUANDO ESTIVER DOENTE OU TENHA O CARRO AVARIADO.

A UBER PAGA O IRC NOS ESTADOS UNIDOS.

A FACTURAÇÃO DA UBER SÓ SE TORNA EFECTIVA QUANDO O UTILIZADOR FIZER O DOWNLOAD DA MESMA.

O EXEMPLO DADO PELOS SECRETÁRIO DE ESTADO AOS FALAR NAS FARMÁCIAS E CABELEIROS EÉ DE PERFEIRA IGNORÂNCIA.

PARA ABRIR UM CABELEIRO OU UMA FARMÁCIA, NÃO BASTA QUERER. HÁ REGRAS DE CONTIGENCIAÇÃO E LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA!

NOTA:
NÃO QUERO DEFENDER OS TAXISTAS MAS OS UTILADORES E O PAÍS!

Anónimo Há 3 semanas

Já tenho trabalho, vou alugar um carro e vou para a uber trabalhar sei que é mesmo fácil e ganhar dinheiro.

João Paulo Forte Há 3 semanas

Condenados a desaparecer? Só se forem os taxistas arruaceiros, pois os outros, que evoluiram e se adaptaram aos novos tempos, fazem frente à UBER e afins. Aqueles que utilizam apps (pensando nas cidades), que são educados e asseados, esses nunca irão desaparecer. Comentário típico de quem não conhece a realidade...

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