Fernando  Sobral
Fernando Sobral 21 de julho de 2017 às 09:35

Os altos salários da BBC e o futuro do Labour

Na Grã-Bretanha muitos ficaram surpreendidos com a fotografia do encontro da delegação do Brexit com os seus colegas da União Europeia.

Enquanto estes estavam carregados de 'dossiers', mostrando que tinham feito o trabalho de casa, David Davis e os seus estavam de mãos a abanar. Será uma negociação a sério? Rebentou entretanto um escândalo: descobriu-se que 96 apresentadores da BBC ganham mais de 150 mil libras por ano. A lista é liderada por Chris Evans (cerca de 2,2 milhões de libras) e depois surge Gary Lineker (1,75 milhões). As apresentadoras ganham bem menos, o que levantou outro debate sobre a discriminação. Alguns recordam que David Cameron, quando se tornou primeiro-ministro, disse que no sector público não deveria haver salários superiores ao seu (142,500 libras, sendo que agora Theresa May ganha 150 mil). Ninguém lhe ligou, pelos vistos. Ross Clark, no "Spectator" escreve: "A BBC é financiada por uma taxa hipotecada e assim faz parte do sector público. (…) Se seguisse esta posição (abdicar da taxa) tornar-se-ia uma operação comercial e os contribuintes não tinham nada a ver com o que pagasse aos apresentadores. Se quer ser financiada por uma taxa deve ser sujeita às mesmas restrições de salários do que o resto do sector público". Allister Heath, no "Daily Telegraph", concorda: "A taxa da licença está a estrangular a BBC. Atirá-la para a sucata tornaria a Avó a melhor televisão do mundo".

Discorrendo sobre política, Owen Jones, no "Guardian", argumenta: "Agora sabemos que o Labour foi derrotado em 2015 não porque fosse da extrema-esquerda, mas porque não foi suficientemente radical. (…) Os tempos mudaram. O New Labour foi o produto do seu tempo. O thatcherismo não poderia ter triunfado nos anos 60. O corbynismo é um filho da nossa era. Para percebermos o futuro temos de reconsiderar o passado. A lição é: O papel do Labour é atirar abaixo uma ordem social falida, não defendê-la".
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