António Moita
António Moita 24 de setembro de 2017 às 19:50

Os doutores da Proteção Civil

Fomos surpreendidos, ou talvez não, com mais uma história de equivalências na atribuição de graus académicos. Agora foi o responsável nacional da Proteção Civil.

E parece não ser caso único uma vez que a sensível ministra da Administração Interna mandou instaurar um inquérito para saber quantos dirigentes estão nas mesmas circunstâncias.

 

Independentemente da censura que pode sempre merecer quem participa nesta fantochada das equivalências para chegar depressa a doutor, gostava de saber quem foi o iluminado que decretou que para o bom exercício de funções públicas é condição obrigatória ser licenciado. Em quê e por que escola? Não interessa. Doutor em qualquer coisa com papel passado por uma instituição que tenha a porta aberta.

 

A estrutura organizativa da Proteção Civil cresceu muito nos últimos anos e consome cada vez mais recursos humanos e financeiros. É natural pois que o grau de complexidade dos processos e as exigências de qualificação dos seus responsáveis tenda a ser cada vez maior.

 

Existe um carinho muito especial por aqueles que são a face visível destas operações - os bombeiros. Nem mesmo quando as coisas correm mal alguém se atreve a criticar os "soldados da paz". E percebe-se porquê. Apesar de em muitos casos a ideia romântica do voluntariado puro já não seja uma realidade, a verdade é que a esmagadora maioria das corporações é composta por homens e mulheres de grande disponibilidade, com enorme espírito de sacrifício e vontade de ajudar quem deles mais necessita.

 

Hoje existe um mundo de interesses que vai muito além da abnegação dos bombeiros. O SIRESP, os "kamov" e os negócios dos meios aéreos de combate a incêndios, entre tantas outras histórias que vão chegando às capas dos jornais, significam que os milhões de euros do nosso dinheiro investido em proteger bens fundamentais como a vida ou o património nem sempre são bem utilizados. Dirigentes íntegros, experientes e competentes precisam-se. Mesmo que não sejam doutores.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo 25.09.2017

Ao que isto chegou!
A culpa é de todos nós que continuamos a baixar os braços e admirar os bandalhos que nos governam!
Só querem tachos para eles e compadres, sobrinhos e afilhados...Enfim é uma grande trIsteza ver toda esta desonestidade só pelo poder e ambição!!!! que merda!

Anónimo 25.09.2017

O COSTA BEM PODIA NOMEAR O RELVAS PARA COMANDANTE GERAL!

KAMBADA 25.09.2017

Esta Bandalheira de vender diplomas pensava-se que só se passava nas univers. privadas de vão de escada, tal como a da Relvices e outras que por aí crescem que nem cogumelos. Agora é uma escola publica ( antiga esc. de regentes agrícolas promovida a esc. superior), veja-se ao ponto a que chegamos!!!

Ricardo 25.09.2017

A questão não está em ser doutor ou não. A questão está em aldrabar para ficar com o titulo de doutor.

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