Fernando  Sobral
Fernando Sobral 18 de agosto de 2017 às 10:02

Os empresários abandonam Trump. E Steve Bannon fala

Na quarta-feira Donald Trump foi forçado a dissolver dois dos conselhos consultivos para a área empresarial que funcionam junto da Casa Branca.

O seu poder é simbólico, mas funcionam como referências para a sociedade e para a economia. A decisão é mais um golpe para a administração Trump, que chegou ao poder como um "apoiante dos negócios". Após muitas demissões, Trump escreveu no Twitter: "Em vez de colocar pressão nos empresários do Conselho Empresarial e no Fórum de Estratégia e Políticas, acabei com ambos. Agradeço a todos." Depois dos seus pouco claros comentários sobre os acontecimentos de Charlottesville, em que pareceu defender os supremacistas brancos, Trump passou a ser criticado fortemente, inclusivamente dentro do Partido Republicano. Nos últimos dias tinham-se também já demitido dos conselhos os CEO das sopas Campbell e da 3M. E o CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, veio declarar: "Eu discordo fortemente da reacção do Presidente Trump aos eventos que tiveram lugar em Charlottesville." Como se não bastasse, os antigos Presidentes George Bush e George W. Bush emitiram uma declaração em que dizem: "A América deve sempre rejeitar a intolerância racial, o anti-semitismo e o ódio de todas as formas." Não se fala de Trump, mas é ele o alvo dos Bush.

Ao mesmo tempo Steve Bannon, o conselheiro de Trump, deu uma entrevista à esquerdista American Prospect, em que diz: "Estamos numa guerra económica com a China." E acrescenta: "Não há solução militar (para a Coreia do Norte), esqueçam isso. Até que alguém resolva parte da equação e me mostre que não morrem 10 milhões de pessoas em Seul nos primeiros 30 minutos, devido ao uso de armas convencionais, não sei do que estamos a falar, não há solução militar, eles têm-nos nas mãos." Não poderia ser mais claro sobre a sua divergência com o que parece pensar Trump. 


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