Paulo Carmona
Paulo Carmona 05 de fevereiro de 2018 às 22:25

Os importantes e os direitos 

O aumento do salário mínimo nos últimos anos está a provocar desemprego no calçado pelo incentivo à automação de tarefas pouco qualificadas.

A FRASE...

 

"Aquilo que [os trabalhadores] têm a certeza é que é na luta que travarem em defesa dos seus direitos que podem encontrar a maior garantia de que os seus direitos possam ser respeitados e alcançados."

João Oliveira (PCP), TSF, 5 de Fevereiro de 2018 

 

A ANÁLISE...

 

Uma pequena economia aberta como Portugal depende e muito das flutuações da procura externa, ou seja, do crescimento da economia dos outros países que nos consomem as exportações ou geram riqueza suficiente para nos visitarem.

 

Em rigor, os governos têm pouca influência nesses acontecimentos. Onde os governos podem agir é na geração de condições de atractividade da economia ao investimento externo. Existe muito capital no mundo, mas pouco em Portugal, e é necessário que pouse por cá para criar empregos e riqueza. Infelizmente, os nossos maus exemplos na gestão da Autoeuropa, na pesquisa e prospecção de petróleo ou na troca de obrigações entre o BES e o Novo Banco não criam boa fama. E ninguém está desesperado para investir em Portugal. Oportunidades de investimento e sistemas nacionais atentos à realidade é coisa que abunda no mundo. Facilmente o mundo se esquece de nós, um país de líricos bem-intencionados, com alguma regulamentação a condizer, bom para visitar ou passar umas temporadas.

 

Portugal tem questões sérias de pobreza e exclusão social, de falta de qualificação da sua mão-de-obra, só 40% dos portugueses terminaram o secundário, a taxa mais baixa da OCDE, salários de miséria de acordo com uma produtividade miserável, uma demografia que condena o país e os futuros pensionistas, espelho de um povo pessimista e do custo de educar uma criança e uma taxa de poupança que faz jus a "amanhã logo se vê, este ninguém mo tira…".

 

Ter crescimento económico para gerar riqueza é a única forma de tentar resolver esses problemas sem o estafado recurso à dívida. E nós somos bons, os nossos emigrantes venceram, alguns sem a 4.ª classe, o nosso ecossistema nacional é que não presta. Um responsável por isso é a ideologia pós-revolucionária que subsiste e insiste nos direitos, sem saber como ou quem os pode ou deve garantir, e na velha e estafada luta entre capital e trabalho.

 

Exemplos? O aumento do salário mínimo nos últimos anos está a provocar desemprego no calçado pelo incentivo à automação de tarefas pouco qualificadas. No entanto, uma gaspeadeira já ganha 3,5 vezes o salário mínimo e escolhe onde quer trabalhar… Capital? Trabalho? Acordemos, na economia do conhecimento o talento já tem muito mais direitos do que o capital.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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