Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 09 de abril de 2012 às 23:30

Os insustentáveis erros de Passos Coelho

O orçamento da Segurança Social não aguenta o actual ritmo de reformas antecipadas? Não. Qualquer pessoa que faça contas, grupo onde há poucos políticos (e muito poucos representados no Parlamento ) sabe isso.
O orçamento da Segurança Social não aguenta o actual ritmo de reformas antecipadas? Não. Qualquer pessoa que faça contas, grupo onde há poucos políticos (e muito poucos representados no Parlamento…) sabe isso.

É por isso que a suspensão das reformas antecipadas durante dois anos era inevitável (mais tarde ou mais cedo teremos de acabar com elas). O problema não está na decisão, está na forma como o Governo (não) a comunicou.

Vejamos: a decisão podia ser divulgada antecipadamente? Não. Em 2010 houve um disparo nos pedidos de reforma antecipada na função pública quando se soube que a penalização por cada ano de antecipação ia passar de 4,5 para 6%.

O que é que o 1º ministro deveria ter feito? No dia da publicação em Diário da República deveria ter convocado a comunicação social para, com o ministro da Segurança Social, explicar a decisão. Ora Passos Coelho não só não o fez como acabou por falar do assunto em Maputo (sem Mota Soares ao lado). Alimentando dúvidas de que o Governo teve medo de enfrentar a opinião pública…

Se somarmos a esta "gaffe" a da suspensão dos subsídios de Natal e férias (foi mesmo "gaffe"?) temos a confirmação de que Passos Coelho não sabe nada de comunicação estratégica e domina muito mal a comunicação de crise. Nesse aspecto fica a muitas milhas de distância de Sócrates. Com uma agravante: Sócrates, que só tinha "vaporware" para mostrar, usava e abusava do marketing; Passos Coelho tem resultados. Mas por este andar a opinião pública nunca vai perceber quais são… porque ele não os sabe "vender". O que faz toda a diferença, porque não se fazem reformas sem as explicar ao eleitorado.


camilolourenco@gmail.com
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comentários mais recentes
manolo 21.04.2012

Suspender as reformas antecipadas, até poderá ser uma boa medida, mas fazê-lo às escondidas, não me parece uma atitude digna de um governo democrático.
Quanto aos resultados conseguidos pelo governo, são bem visiveis, tais como, aumento do desemprego, perseguição aos trabalhadores, dimunuição das receitas fiscais, aumento da despesa pública, etc, etc.
Na verdade Portugal está no bom caminho, mas poucos o conseguem trilhar, excepção para os ladrões do BPN e para alguns gestores, que ganham o triplo dos seus congeneres dos países mais ricos do mundo.

Anónimo 13.04.2012

... é os funcionários públicos continuarem a aposentarem-se com um valor quase igual ou mesmo igual ao último salário.

mitmffm 12.04.2012



Não há sistema de segurança social que aguente as reformas que foram sistemáticamente criadas, para classes e políticos,à revelia do interesse público.

Mas isso não se contesta!!!

Contesta-se é um governo, que nos tem de penalizar,por motivos mais do que conhecidos por todos, mas as críticas são sempre dirigidas aos que fazem não aos que desfalcam o país e enriquecem à custa da carreira política.

A palhaçada de quem está na AR,é um espectáculo, demasiado caro para nós,e altamente degradante.Não seria preciso tantas vedetas, "É TUDO À GRANDE", como diria o outro.

Agora o próprio governo tem de se conter nas despesas de IMAGEM!!!!

mitmfm 12.04.2012



Os governos que vivem da fachada ficam sempre mais bem visto.Passos Coelho tem feito um exercício difícil para resolver os problemas nacionais,contudo não tem tido tempo para preparar a máquina de imagem e publicidade,coisa indispensável, para os portugueses.

Fazer custa, mas não se v~e, é mais importante falar, ao contrário do que dizia Albert Einstein "raramente penso só com palavras".

O Sócrates não pensava,só falava, não fazia,só dizia, mas os portugueses gostam disso!!!!

Sr. PM faça a vontade a estes portugueses, pois de contrário não vai ter uma vida fácil...

A nossa já não o é, mas por outras razões, mas cuide um pouco da sua, mas continue a trabalhar para erguer o país!!!

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