Fernando  Sobral
Fernando Sobral 08 de novembro de 2017 às 09:37

Os interesses comerciais dos EUA e a Europa flexível de Macron

Nos Estados Unidos, tudo se centra nos interesses comerciais. O secretário do Comércio de Trump, Wilbur Ross (um milionário "génio de Wall Street"), foi agora desvendado pelos "Paradise Papers", faz negócios com a Venezuela de Nicólas Maduro enquanto Trump critica este país.

Há quem diga que há conflito de interesses. Seja como for, no Japão, Donald Trump disse que este país se poderia proteger da Coreia do Norte se comprasse uns milhares de milhões de armas americanas, desenhando uma ligação clara entre o comércio e a segurança. Trump mostrou o seu desapontamento por o Japão não ter abatido os mísseis norte-coreanos que passaram sobre o seu território. E disse, ao lado de Shinzo Abe, que: "Ele vai abater os mísseis no céu quando completar a compra de variado equipamento militar norte-americano. O primeiro-ministro do Japão vai adquirir massivas quantidades de equipamento militar, como deve." Não se sabe se alguém ficou estupefacto, mas, na China, Xi Jinping deve ter-se divertido com as frases de Trump.

Já na Grã-Bretanha, o secretário do Comércio de que falámos anteriormente disse: "Não deixem que a União Europeia dite o Brexit se quiserem um acordo comercial rápido com os EUA." Falando na Conferência da Indústria Britânica, o nosso já conhecido Wilbur Ross, acrescentou que a Grã-Bretanha deve evitar muitos compromissos com a União Europeia. Mas alertou: haverá problemas para um acordo dos EUA com a Grã-Bretanha se esta continuar a política comunitária de banir a comida geneticamente modificada e as galinhas tratadas com cloro. Que irão fazer os britânicos? Na Europa, discute-se o futuro. E Charles Grant, director do Centre for European Reform, escreve no Politico: "Como deve ser esse futuro? Deve ser o de Jean-Claude Juncker, de uma união mais integrada? Ou deve o de Emmanuel Macron, de um bloco mais flexível? Se a UE quer sobreviver às suas (inevitáveis) crises futuras, a resposta é fácil. A única opção real é seguir a visão de Macron: deixem os países relutantes para trás e deixem os outros seguir para a frente em políticas-chave."


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